A rua maldita

1 11 2008

A rua estava completamente deserta. Havia alguns postes iluminando as calçadas, mas havia vãos onde a iluminação não chegava e nestes vãos eles permaneciam ocultos…

Passou por uma avenida e após aguardar pacientemente os carros pararem no sinal, foi na direção da rua amaldiçoada, como era conhecida no bairro.

Ela não sabia deste detalhe, andou livremente provida apenas da precaução natural das mulheres que andam sozinhas à noite.

Eles ouviram seus passos rápidos e resolutos, mas nem precisariam escutá-los, pois o vento frio da noite já havia lhes trazido o seu cheiro.

Os passos foram ficando cada vez mais próximos e com ele o som da respiração da presa. Um segundo foi o suficiente para decidirem quem daria o bote fatal. Decidido o algoz, este partiu a fim de realizar o seu intuito.

De repente um grito apavorado cortou a madrugada.

Eles aguardavam ansiosamente a volta de seu companheiro e se assustaram ao ficar frente a frente com a mulher que haviam desejado!

Ela trazia a roupa manchada de sangue e o olhar aterrorizador que somente os animais sagazes possuem ao estudarem suas presas. Gritaram ainda surpresos, tentando fugir, mas ela os abateu um a um, com o lascivo gosto de sobrepujar aquele bando de carniceiros que dominavam a rua.

Anos se passaram.

Eles já não habitam a rua, que continua sendo amaldiçoada, mas agora com uma maldição mais polida, friamente manipulada por uma sedutora mulher.

 

Luciana Muniz


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