Sentir o frio do deserto na alma. O olhar gélido dos ventos do norte vindo de encontro à tua face.
O estado estarrecedor da consciência ao ver paixão nos olhos de outrem.
O pensamento se pergunta:
“Faço a coisa certa?”
A inquietude de não saber que direção tomar, o caminho a rumar, a pessoa a acompanhar. O consorte não a aguarda, a olha impaciente. Timidamente ela lhe devolve o olhar. Ah!… Que olhar! Os olhos cintilam a indecisão de sua alma, ele percebe que ela vacila e se perturba, será que ela o seguirá?
Fará de sua sorte a sorte dela, passando por áridos desertos, inconstantes geleiras e campos inférteis a teu lado?
Com o pouco tempo que lhe resta, ela olha para dentro de si e se decepciona ao perceber que não está pronta para acompanhar o homem à sua frente, o equilíbrio não habita seus pensamentos neste momento.
Ela ainda se pergunta:
“Fico ou sigo em frente?”
Não percebe que a indecisão perturbadora já é um sinal de que as coisas não estão corretas, há algo errado, mal acabado, silencioso, que não a deixa seguir em frente.
Fantasmas… Seus fantasmas do passado, agonias, céus e infernos que a fazem fraquejar diante de decisões importantes. O vento se enfurece e bagunça seus longos cabelos, o perfume que deles saem, inebriam o homem que aguarda a mulher de seus sonhos, bela e lânguida, misteriosa e sedutora, perturbadora! Seu olhar brilhante trás até ele a sensação de abandono, de morte, de dor!
O implacável olhar agora deixa escapar uma única lágrima, a resposta havia chegado: Ela ficará.
Ele abaixa seu olhar incrédulo, mais uma vez havia fracassado! Ela não era a primeira mulher a desistir de acompanhá-lo em sua longa jornada.
Mais uma vez ele estava sozinho. Iria vagar solitário pela luz das estrelas, contemplaria o anoitecer que trazia o suave luar e o amanhecer que despertava o sol brilhante, que das trevas libertava os incrédulos. Perturbador era compreender que o caminho era apenas seu e que ninguém além dele sentiria prazer em segui-lo!
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