Há muito o parque estava fechado, já passava das vinte e três horas e trinta minutos. Mas ele precisava ficar sozinho. Assim, perdido em seus pensamentos, era possível pensar nas loucuras que fora obrigado a cometer, por conta da vida que passou a ter. Talvez precisasse decidir um novo rumo a seguir.
Caminhava sem um destino certo pelo parque, que também abrigava um antigo museu. A lua cheia ia alta no céu, iluminando os seus passos mesquinhos.
Visualizou uma ponte e resolveu percorrê-la, ao final do estreito caminho fitou as águas escuras do pequeno riacho abaixo de seus pés.
Um vento frio soprou e ele sentiu um arrepio na espinha, mau presságio…
Voltou o olhar mais uma vez para o riacho e viu o reflexo da lua nas águas, foi neste momento que ele o sentiu…
***
O vento trouxe o seu aroma. Procurou por alguns instantes e o encontrou pensativo na velha ponte. Sentiu nitidamente que ele pressentiu algo, mas ainda assim não tomou nenhuma atitude, presa fácil. Pagará caro por subestimar a sua intuição.
Preparava-se para saltar na presa quando ele o viu, sua expressão foi de incredulidade em um primeiro momento, depois não fez outra coisa senão correr e correr.
A fera se enfureceu e correu atrás de sua presa, que esqueceu momentaneamente os seus pensamentos e apavorado só pensava em percorrer novamente o caminho que o levaria para longe daquele parque.
Já podia sentir o gosto de sua presa, suado e ofegante. Tentando inutilmente conter o que não pode ser contido.
Uma sucessão de passos se ouvia, ora o da presa apressada, ora o da fera sedenta.
Passos rápidos, pisadas precisas. Pés descalços, patas libertas. Medo, ansiedade. Pavor, fome.
São dois, em apenas um. A lua não mais encoberta não pode lhe conter. A fera se apoderou do homem, nada mais podia conte-lo até a lua deixar o céu sob a fase amaldiçoada.
Qual era a sua verdadeira natureza? A presa descrente? A fera furtiva?
Ou os dois o habitavam?
|
|







Ultimos Comentários