A sede

1 11 2008

Caminhou para um lugar onde a altitude lhe permitisse ficar sozinho.

Respirou o ar noturno e desejou conseguir visualizar a imagem dela assim que fechasse os olhos. Sorveu um gole do cantil que trazia consigo e sentiu o gosto amargo da bebida alcoólica. O líquido que desceu vagarosamente por dentro dele, esquentou aos poucos o seu corpo inerte, lhe fazendo reabrir os olhos lentamente.

O vento passava por sua face e desmanchava seus longos cabelos, enquanto ele refletia sobre o próximo passo. Não demorou muito e o seu objeto de desejo apontou na cidade, abaixo de seus pés!

Os muitos séculos de sobrevivência na podridão abrigada pela noite, fizeram dele um exímio caçador, daqueles que não se enganam sobre os passos e o aroma de sua presa.

Ela caminhava solitária e distraída pelas ruas desertas, parecia agradecer a brisa noturna, pois sabia que ela lhe traria algo de novo, não saberia dizer se bom ou ruim, mas ainda assim algo novo.

Ele a olhava fixamente quando sentiu que não poderia mais lutar contra si mesmo, sentiu o corpo inteiro pulsar e foi ao encontro do seu desejo.

Tudo aconteceu tão de repente! Ela não teve tempo de gritar, de correr ou de olhar profundamente em seus olhos, mas sentiu a força dos seus braços a enlaçá-la.

Ele por sua vez, sorveu goles generosos de sua essência, mas parou bruscamente ao ouvir um som que desde o seu primeiro suspiro o perturbava: O ribombar do coração dela.

Parou por alguns instantes, como que para se libertar do impacto daquele som, mas foi inútil.

Assim que retornou a saciar sua sede, novamente a pulsação acelerada daquela mulher o repeliu, aquele som que parecia lhe dizer:

“Não vou ceder! Vou sobreviver!”

Sua sede não era mais a mesma, decidiu rapidamente parar com aquela loucura, ergueu a mulher em seus braços e a deixou em um local seguro, ela que parecia dormir, suspirou sem forças, completamente indefesa.

Ele lentamente deu alguns passos para trás, não se furtando de olhá-la e mordendo os próprios lábios, até sangrá-los.

Retornou para o seu refúgio, o lugar de onde não deveria ter saído naquela noite.

Blood

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