Antídoto

1 11 2008

 Antídoto

Andava sozinha e triste pelas ruas encharcadas da cidade. A chuva começou a apertar, até que se transformou em uma espessa cortina de águas. A cidade inteira parou ao primeiro sinal da noite.

A iluminação dos postes em contraste com os faróis dos carros no trânsito dava nuances coloridas à chuva incessante e impiedosa com os transeuntes sem proteção.

Resolveu parar em uma marquise, como muitos outros, até que as águas se acalmassem. Na longa espera, seus pensamentos fervilhavam deixando seu corpo retesado de dor, pois não eram pensamentos bons…

Olhou novamente a chuva e não achou um sentido em estar ali aguardando o seu final, já que estava quase toda molhada. Retirou o caro sapato e andou descalça pelas calçadas molhadas do centro da cidade. Muitos apontavam para ela e diziam:

“- Que louca!”, ou ainda: “- Vai pegar uma doença!”.

Mas ela não se importou e continuou a sua caminhada solitária, ao menos a chuva escondia de todos a sua tristeza, pois se misturava com suas lágrimas.

A cada passo que dava, sentia a alma mais leve, a chuva tinha o poder de purificá-la e abrandar a sua alma atormentada. Relâmpagos e trovões se revezavam em seus caminhos, mas ela não se assustava, continuava andando lentamente rumo ao abrigo que não sabia ao certo onde encontrar.

Desejo e repulsa tomavam conta de seus pensamentos, queria dormir e não sonhar, não sentir, não pensar, não ver, morrer talvez! Qualquer opção era melhor do que aqueles pensamentos! Aquele veneno que lhe corroia por dentro, que fazia o seu ar faltar e o seu corpo enfraquecer.

Chegou em casa e foi direto para o quarto livrar-se das roupas molhadas, ao ver-se nua sentiu um frio incomum, não era pelo vento forte que invadira o ambiente, era o frio de sua alma. Estava vazia por dentro! Só restava o veneno, sua obsessão…

Entrou no chuveiro e sentiu o impacto da água quente em contato com o seu corpo frio e ficou um longo tempo sentindo o calor das águas a percorrer o seu corpo. Os pensamentos pareciam se acalmar enfim. Foi para o quarto e adormeceu, era o seu único instante de paz, quando estava desacordada e o veneno não conseguia agir sobre os seus pensamentos…

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