O jogo dos Reis

31 07 2010

Excelente exercício para a mente, com todas as premissas do Planejamento Estratégico, o xadrez é um jogo completo. Abaixo transcrevo um texto de Sybill Marshall, escritora e educadora britânica, sobre o jogo dos reis:

 

Desde a criação do mundo

O homem guerreia contra o homem

Reis e Rainhas armavam as batalhas

Consultavam bispos, convocavam

cavaleiros;

Tomavam as torres dos castelos uns

dos outros e então

Capturavam e matavam os homens uns

dos outros.

Desta forma tudo continuou, até que um

dos lados proclamou

“Viva! Vencemos! O Rei deles está

Morto!”

Mas quando não haviam mais guerras

Ficaram todos entediados

Lutaram uns contra os outros

da mesma forma

Mas desta vez era um jogo.


Sobre um tabuleiro com homenzinhos

Jogamos este jogo – chamado Xadrez

– desde então.

Cada batalha era tão difícil quanto

Havia sido no passado, nos campos de

batalha;

Em astutos movimentos a guerra ainda

acontece

Através de complexas regras profundamente

estudadas.


Nosso “jogo dos Reis” é hábil e inteligente

Mas ninguém é morto ou mutilado para

sempre.

Peças pretas, cérebros brancos, não

força física

Enquanto dama, torre, bispo, cavalo e

peão

São banidos do tabuleiro

E pretas ou brancas gritam “Xeque!”

Ou, como diziam os antigos persas,

“Shah mat! Seu Rei está morto!”

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Olhos Verdes

9 06 2010

Olhos Verdes

São uns olhos verdes, verdes,

Uns olhos de verde-mar,

Quando o tempo vai bonança;

Uns olhos cor de esperança,

Uns olhos por que morri;

Que ai de mim!

Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!

Como duas esmeraldas,

Iguais na forma e na cor,

Têm luz mais branda e mais forte,

Diz uma — vida, outra — morte;

Uma — loucura, outra — amor.

Mas ai de mim!

Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!

São verdes da cor do prado,

Exprimem qualquer paixão,

Tão facilmente se inflamam,

Tão meigamente derramam

Fogo e luz do coração

Mas ai de mim!

Nem já sei qual fiquei sendo

depois que os vi!

São uns olhos verdes, verdes,

Que podem também brilhar;

Não são de um verde embaçado,

Mas verdes da cor do prado,

Mas verdes da cor do mar.

Mas ai de mim!

Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!

Como se lê num espelho,

Pude ler nos olhos seus!

Os olhos mostram a alma,

Que as ondas postas em calma

Também refletem os céus;

Mas ai de mim!

Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!

Dizei vós, ó meus amigos,

Se vos perguntam por mim,

Que eu vivo só da lembrança

De uns olhos cor de esperança,

De uns olhos verdes que vi!

Mas ai de mim!

Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!

Dizei vós: Triste do bardo!

Deixou-se de amor finar!

Viu uns olhos verdes, verdes,

uns olhos da cor do mar:

Eram verdes sem esp’rança,

Davam amor sem amar!

Dizei-o vós, meus amigos,

Que ai de mim!

Não pertenço mais à vida

Depois que os vi!

Gonçalves Dias (1823-1864)





De Volta ao Começo!

4 01 2009

Ano Novo. Hora de deixar de exercer um pouco o pecado capital da preguiça e planejar o ano que começa.

Dentre as tarefas auto impostas, estava a de arrumar os livros da fila (nada pequena) de leitura, revistas e cadernos de rascunhos.

E em meio à tarefa de separar o já lido do que ainda está esperando para ser devorado, encontrei uma poesia do Castro Alves, “Onde Estás?”.

Desde de criança conheço estes versos e durante um bom tempo sabia de cor e salteado.

E o mais interessante é que no ano em que prestei vestibular, lá estavam eles repousando entre as vinte questões de português. Não deu para conter aquele risinho de canto.

Naquele ano passei no vestibular e me lembro de que foi um dos melhores anos da minha vida, em todos os sentidos.

Então começo este ano publicando os versos que sempre pressagiaram bons momentos para esta criaturinha aqui.

E que venha 2009! 😉

 

ONDE ESTÁS?

 

É meia noite… e rugindo

Passa triste a ventania,

Como um verbo de desgraça,

Como um grito de agonia.

E eu digo ao vento, que passa

Por meus cabelos fugaz:

“vento frio do deserto,

onde ela está? Longe ou perto?”

Mas, como um hálito incerto,

Responde-me o eco ao longe:

“Oh! Minh’amante, onde estás?”

 

Vem! É tarde! Por que tardas?

São horas de brando sono,

Vem reclinar-te em meu peito

Com teu lânguido abandono!…

‘Stá vazio o nosso leito…

‘Stá vazio o mundo inteiro;

E tu não queres qu’ eu fique

Solitário nesta vida…

Mas por que tardas, querida?…

Já tenho esperado assaz…

Vem depressa, que eu deliro

Oh! Minh’amante, onde estás?

 

Estrela – na tempestade,

Rosa – nos ermos da vida;

Íris – do náufrago errante,

Ilusão – d’alma descrida!

Tu foste, mulher formosa!

Tu foste, ó filha do céu!…

E hoje que o meu passado

Para sempre morto jaz…

Vendo finda a minha sorte,

Pergunto aos ventos do norte…

“Oh! Min’amante, onde estás?…”.

Castro Alves