O Homem de gelo

5 04 2010

Ao longo de 488 páginas conheci a biografia de Richard Kuklinski, aquele que, devido ao seu comportamento, veio a ser chamado de “O Homem de Gelo”.

O “Grandalhão” como era conhecido nos meios criminosos, tinha um código de ética às avessas, não matava mulheres e crianças, uma barreira que não ultrapassou até o fim. E também possuía uma obsessão: Sua esposa Bárbara. Apesar de contrabandear filmes pornográficos, não participava de forma alguma das orgias, sendo que em uma das descrições do autor, deixou os negócios em Zurique e retornou ao seu lar apenas para fazer amor com sua esposa, retornando aos negócios no dia seguinte.

Deste comportamento dá para concluir que ele possuía duas personalidades, uma delas era a do frio psicopata, capaz das mais variadas atrocidades sem se importar com as vidas que era pago para ceifar e a outra faceta era a de um homem dedicado à família.

O enredo também retrata o seu convívio com outros psicopatas e mafiosos, como Roy De Meo, que de tão alucinado para entrar nas fileiras da máfia, conseguia muitos “contratos” para Kuklinski, sempre visando agradar seus chefões.

Já Robert Pronge, colega de profissão do grandalhão, usava o disfarce de “Sr. Delícia” para observar suas presas, sendo um expert em assassiná-las com diversos tipos de veneno. Graças a ele, o homem de gelo também refina suas técnicas de abater pessoas, algo que ao longo de sua sangrenta carreira procurou fazer o tempo todo.

Apesar de todas as precauções que tomava para não ser pego, em muitas cenas dava para notar que ele também tivera muita sorte. A frase “mais um homicídio sem explicação…” chega a irritar e é descrita muitas vezes pelo autor.

Para quem curte assuntos relacionados à máfia, esta leitura proporciona uma imersão no mundo do crime, das pessoas que dele fazem parte, como pensam e como agem. Não tem como não notar a inconstância destes personagens. E lendo sobre seus tortuosos caminhos, chegamos a pensar que conhecemos seus próximos passos. Contudo, do dia para a noite o cenário em volta se mostra mais ameaçador e aquele que hoje é o seu mais fiel colaborador, amanhã pode ser aquele que você tenha que eliminar. Mesmo o próprio Richard Kuklinski, nos últimos capítulos de sua saga alterou o seu padrão de comportamento, o que serviu para que os investigadores conseguissem provas sobre alguns de seus crimes.

A leitura foi cansativa em vários momentos, porém foi interessante como bagagem para a escrita do meu romance mafioso que, óbvio, também tem um personagem psicopata, além de diversos outros personagens carregando alguma patologia, o que não justifica, mas traduz suas ações.

E muito se engana quem acha que a história acaba após a prisão de Richard Kuklinski. Até então a polícia conhecia apenas a ponta do iceberg. O show (de horror) estava só começando…

Foi na Penitenciária Estadual de Trenton que ele concedeu uma série de entrevistas para a HBO, onde contou em detalhes seus métodos para abreviar a vida de mais de 200 pessoas, o que serviu também para solucionar uma série de assassinatos arquivados por falta de pistas.

O vídeo abaixo é apenas um dos documentários.

Encerro por aqui, senão o texto passa de uma resenha para spoiler e não quero tirar o prazer dos que forem ler o livro, mas acreditem: há muito mais!

O Livro

CARLO, Phillip. “O Homem de Gelo: Confissões de um matador da Máfia”; tradução de Denis Mattar.

São Paulo: Landscape, 2007.

Título Original: Ice man, The: Confessions of a Mafia contract killer.

ISBN: 978-85-7775-000-9.

488 páginas.

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O guardião da fila

11 01 2010

 

Leituras

Sei que ao longo do ano a fila de leitura vai aumentar, eu me conheço. Comecei 2010 bem… Bem atrasada na leitura!

Por enquanto a fila está assim:

1- O Banquete (Platão);

2- Macbeth (William Shakespeare);

3- Hamlet (William Shakespeare);

4- A Comédia dos Erros (William Shakespeare);

5- Além do bem e do Mal (Friedrich Nietzsche);

6- Elogio da Loucura (Desidério Erasmo);

7- Pulp (Charles Bukowski);

8- O Perfume (Patrick Süskind);

9- O Médico e o Monstro (R. L. Stevenson);

10- Um estudo em vermelho (Arthur Conan Doyle);

11- Neuromancer (William Gibson);

12- O Guia do mochileiro das Galáxias (Douglas Adams);

13- Fahrenheit 451 (Ray Bradbury);

14- O Protocolo de Anúbis (William Goldoni);

15- Palhaços Sagrados (Tony Hillerman);

16- Os Filhos de Anansi (Neil Gaiman);

17- O Martelo de Deus (Arthur C. Clarke);

18- Viagem ao centro da Terra (Julio Verne);

19- Hannibal, A Origem do mal (Thomas Harris);

20- A Hora das Bruxas, Volume I (Anne Rice);

21- A Hora das Bruxas, Volume II (Anne Rice);

22- O Homem de Gelo (Philip Carlo);

23- Sombras da Noite (Stephen King);

24- Memórias de uma Gueixa (Arthur Golden);

25- A Paixão de Maria Madalena (Juan Tafur);

26- Beltimore e o Vampiro (Mike Mignola e Christopher Golden);

27- Contos Inacabados (J. R. R. Tolkien);

28- Piratas – Uma história geral dos roubos e crimes de piratas famosos (Charles Johnson);

29- Cavalo de Tróia 1: Jerusalém (J. J. Benitez);

30- Cavalo de Tróia 2: Massada (J. J. Benitez).

 Uma pretensa escritora que nunca leu Shakespeare? Vergonhoso, mas verdadeiro. E para me redimir deste terrível pecado, planejo ler três livros dele, além do DVD de Hamlet para complementar a leitura.

Nietzsche? Conheço algumas de suas frases de efeito e só. Por enquanto.

O Guia do Mochileiro das Galáxias: Alerta de perigo! Sei que são uns quatro, cinco livros, já pensou se me dá na veneta de ler TODOS? Ai…

Os Filhos de Anansi do Neil Gaiman… Prá não falar da série SANDMAN, que apesar de não mencionada na fila de leituras, está na espera de eu encontrar os volumes 2 (A Casa de Bonecas), 3 (Terra dos Sonhos) e 4 (Estação das Brumas) para completar a coleção. Sim, é bichisse da Loo mesmo, confesso.

Viagem ao centro da Terra: Apesar de algumas pessoas terem mencionado que o meu conto “Abaixo de Nós” do volume 2 da coleção Paradigmas lembra este romance do Julio Verne, eu ainda não li, mas fiquei curiosa. Mais um na fila!

O Homem de Gelo foi emprestado por um colega de trabalho que sabe dos meus gostos mafiosos. Será prioridade nas leituras, claro.

Stephen King é outro pecado mortal na minha vida. Também nunca li uma linha sua, mas a redenção virá com Sombras da noite, uma coletânea de contos.

Memórias de uma Gueixa, assim como Hamlet e O Perfume, terá a dobradinha que venho fazendo muito ultimamente: livro + filme. Ano passado foi assim com Harry Potter, O Senhor dos Anéis e As Brumas de Avalon. Recomendo fortemente esta prática, é bem interessante observar o mesmo enredo em outras mídias, sob óticas diferentes.

E A Paixão de Maria Madalena evidencia a minha fascinação por esta personagem tão controvérsia, que ostenta uma miríade de interpretações em torno de si: Nobre ou Prostituta? Amante ou Aprendiz? Santa ou apenas mulher?

Pois bem, são estes os livros que estão aguardando pacientemente sua vez de serem devorados. O gato preto se limita a desdenhar, observando a fila de livros executar movimentos sanfonados, ora crescendo, ora diminuindo, para em seguida crescer ainda mais, motivada pela sede curiosa de sua dona. 🙂





Gerenciando como a Máfia

23 11 2009

“Você consegue muito mais com uma palavra amável e um revólver do que apenas com uma palavra amável”.

– Al Capone –

No início deste ano planejei reescrever um dos meus romances e o eleito foi escrito há uns dez anos. É sobre a máfia italiana, assunto que muito me agrada não apenas pela tensão de saber quem será o próximo a morrer ou que plano oculto vai emergir no momento seguinte, mas por sua lógica diferenciada e a psicologia dos personagens.

Enfim… Um conjunto de acontecimentos fez com que eu optasse por postergar este projeto, ao menos por enquanto. Mas ao longo do ano, enquanto colhia dados para pesquisar o assunto, vi na mesa de um dos gerentes da empresa um livro que imediatamente me chamou a atenção.

“Gerenciando como a Máfia”: Um guia para o Maquiavel empresarial.

Não sei se por estratégia de marketing, ou para dar ênfase aos ensinamentos, o autor do livro se oculta pelo pseudônimo “V”. Nas primeiras páginas do livro o leitor encontra a explicação:

“V, que “assina” este texto, é um capo de renome que mantém vários endereços por todo o mundo. Sua residência atual é um segredo guardado a sete chaves”.

O livro está dividido em três partes, “Administrando a si próprio”, “Administrando os outros” e “O resto da coisa”, numa linguagem irônica e bem humorada, o autor fala dos objetivos de quem almeja o poder corporativo e, de forma fria, como agir para criar as oportunidades e fazer acontecer.

No final de cada uma das três partes do livro os ensinamentos são solidificados com a seção “Axiomas”, com várias frases de efeito, que comprovam a teoria mafiosa do autor. Seguem alguns exemplos:

“Pode-se esconder o fogo, mas não a fumaça”;

“É melhor que os seus inimigos o considerem louco, ao invés de sensato e racional”;

“A necessidade quebra todas as leis”;

“Sempre puxe a serpente para fora da cova, com a mão de outro”;

“Puna um, eduque cem”.

Agora muitos sabem a fonte de onde tiro as frases mafiosas que costumo colocar no GTalk para inspirar meu cotidiano corporativo, porque em determinadas empresas só gerenciando como a máfia!

Dados técnicos:

 O Livro

V., “Gerenciando como a Máfia”; tradução de Maria Lucia Cavinato.

São Paulo: Nobel, 2002.

Título Original: The Mafia Manager.

ISBN: 85-213-0963-5.

120 páginas.





O Mundo de Sofia

12 10 2008

A história começa com fatos misteriosos que passam a fazer parte do cotidiano de uma adolescente prestes a debutar, seu nome é Sofia.

A leitura do calhamaço de Jostein Gaarder é instigante pela qualidade narrativa da história da filosofia ocidental, desde a antiguidade clássica até os dias atuais.

E toda esta descrição de teorias das personalidades marcantes para o pensamento filosófico ocidental, que vão desde Tales de Mileto até Darwin, chegando até os contemporâneos, é feita em forma de diálogos entre a jovem Sofia e o seu professor de filosofia. Juntos, passam a fazer parte de uma história paralela. Que os faz formular seu próprio pensamento filosófico a respeito dos acontecimentos estranhos que lhes cercam e que são causados pela figura onipresente de um major, que envia postais do Líbano para sua filha Hilde, através de Sofia. O grande mistério é que Sofia não conhece ninguém com este nome. Aos poucos esta história paralela é desvendada, andando de mãos dadas com as lições passadas pelo professor de filosofia.

Todas as lições são muito bem exemplificadas pelo professor que sempre atende aos apelos de sua dedicada aluna, fazendo com que a leitura seja agradável, por mesclar momentos de filosofia pura com cenas engraçadas do universo que cerca Sofia e mais para o final do livro por cenas um tanto bizarras.

Dos poucos mais de trinta capítulos, todos com um título e uma frase que religiosamente será encontrada ao longo do texto, o leitor pode saber por antecedência qual será o assunto ou a personalidade tratada nas próximas páginas.

Apesar de ser um romance de ficção, o livro trás muitas informações sobre os filósofos e a arte e cultura de suas épocas, explanando os motivos que fizeram de Sócrates, Descartes, Locke, Kant, Marx dentre outros, figuras tão importantes da época em que viveram

O Autor

Jostein Gaarder, norueguês, nasceu em 1952; estudou Filosofia, Teologia e Literatura. A partir de 1991 ganhou projeção internacional com o Mundo de Sofia.

O Livro

GAARDER, Jostein. “O Mundo de Sofia: Romance da história da Filosofia”; tradução de João Azenha Jr.

São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Título Original: Sofies verden.

ISBN: 978-85-7164-475-5.

560 páginas.