Retrospectiva de Leituras 2012

25 12 2012

Mais um ano se passou. 2012 foi um ano de muitas conquistas, grandes aprendizados e a certeza de que ainda há muito o que aprender. Não alimentei a mais remota expectativa de que atualizaria este espaço ao longo do ano, porém há algo em que reluto não publicar: a lista de livros que consegui ler neste período. Está bastante enxuta para uma escritora – confesso – porém tentei ser o mais eclética possível, é parte da minha estratégia pessoal. 😉

– O guia do mochileiro das galáxias – Douglas Adams

– O restaurante no fim do universo – Douglas Adams

– A vida, o Universo e tudo o mais – Douglas Adams

– Até mais e obrigado pelos peixes! – Douglas Adams

– Praticamente inofensiva – Douglas Adams

– Os homens que não amavam as mulheres – Stieg Larsson

– A menina que brincava com fogo – Stieg Larsson

– A Rainha do castelo de ar – Stieg Larsson

– Gen Pés Descalços – O nascimento de Gen, o trigo verde – Keiji Nakazawa

– Gen Pés Descalços – O trigo é pisoteado – Keiji Nakazawa

– O jardim de ossos – Tess Gerritsen

– A Cabana – William P. Young

– Os arquivos de Sherlock Holmes – Sir Arthur Conan Doyle

– O livro da Bruxa – Roberto Lopes

– O guia do viajante inteligente – Erik Torkells

– O mistério da cripta amaldiçoada – Eduardo Mendoza

– Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

– Steve Jobs – A Biografia – Walter Isaacson

– O nome da Rosa – Umberto Eco

– O livro dos Espíritos – Allan Kardec

– O livro dos Médiuns – Allan Kardec

– O Guia Politicamente Incorreto da Filosofia – Luiz Felipe Pondé

– A Revolução dos Bichos – George Orwell

– Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros – Seth Grahame-Smith

– Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída… – Kai Hermann e Horst Rieck

– Alice no país das maravilhas – Lewis Carroll

– O mágico de Oz – L. Frank Baum

– Sex and the City – Candace Bushnell

– Os delírios de consumo de Becky Bloom – Sophie Kinsella

– O diário de Bridget Jones – Helen Fielding

– O Diabo veste Prada – Lauren Weisberger

– A arte da ficção – David Lodge

– As Crônicas de Nárnia – C.S. Lewis

– Manual do Detetive Virtual – Wanderson Castilho

– A Bíblia das Bruxas – Janet e Stewart Farrar

– O Guardião da Meia Noite – Rubens Saraceni

– A Parisiense – Ines de La Fressange

Comecei o ano com “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, série bastante festejada pelos nerds de plantão, tendo até mesmo o dia da toalha para comemorações. É engraçadinha, mas somente isso. Depois do segundo livro as piadas começam a dar sinais de monotonia e acabei lendo somente para fechar a série.

Depois fui apresentada à Lisbeth Salander, da Trilogia Millenium e, sim, virei sua fã incondicional! Nesta série provei um pouco de tudo que mais gosto na literatura: suspense policial, uma personagem feminina inteligente e durona e um enredo com histórias menores interessantes. Vale a pena!

Em certo momento decidi que queria uma série de mangá para chamar de minha e topei com a obra de Keiji Nakazawa (o autor faleceu este ano, no ultimo dia 19) na série Gen, Pés Descalços. Na minha opinião é leitura obrigatória para toda esta geração que não conhece as histórias de horror da segunda guerra mundial, uma lição sobre o que o homem é capaz, para o bem e para o mal. Li apenas os dois primeiros volumes (são dez no total) e gostei bastante.

Motivada pelas lembranças do mosteiro de Varlaan, na Grécia, li “O Nome da Rosa”. É uma leitura difícil, com muitas passagens escritas em latim, com todos os rituais diários de um mosteiro descritos minuciosamente na primeira parte, mas uma vez que se “pega o jeito” da história o enigma sobre a morte dos monges vai te conduzindo para um desfecho interessante.

Me diverti horrores com “O Guia Politicamente Incorreto da Filosofia” e com “A Revolução dos Bichos”, dois livros que valeu a pena ler e sérios candidatos a uma releitura, qualquer dia desses.

“Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída…”, fez com que eu torcesse desesperadamente pela recuperação da Christiane, mas… Na minha visão os pais deveriam incentivar seus filhos a ler este relato, mostra como a curiosidade pode matar o gato.

Depois de leituras tão densas tomei uma dose de ‘leituras para mulherzinhas’, para dar uma equilibrada. Bridget Jones, Becky Bloom, Carrie e Andrea me fizeram companhia durante um mês. Dos quatro livros gostei mais de “O Diabo veste Prada” e fiquei sem entender como um livro tão sem graça como “Sex and the City” deu origem a uma série tão divertida.

Passeei também pelos campos verdejantes da literatura infantil e eliminei o pecado de não ter lido ainda “O mágico de Oz”, “Alice no país das maravilhas” e “As Crônicas de Nárnia”.

E é isso. Ano que vem tem mais, muito mais! 😉

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Conhece-te a ti mesmo

23 04 2012

Ruínas do Templo de Apolo em Delphos - Grécia

Ruínas do Templo de Apolo em Delphos – Grécia.

Os mistérios do universo sempre me fascinaram, sempre tive a curiosidade de saber os porquês dos porquês dos porquês e isso não deve ser à toa…

Então fui atrás da minha curiosidade, sempre guiada pela minha intuição. Li muitos livros, mas ainda sentia que lia e não entendia! A sensação de que as palavras eram literais me perturbava, foi quando li, não recordo o livro tampouco o autor, que o caminho que leva à consciência do universo é um caminho sem volta.

Sinceramente não compreendi o que isso significava, como sem volta?

Somente anos mais tarde me dei conta do seu real significado, principalmente quando li textos de Sócrates, o filósofo grego, onde ele citou sabiamente: CONHECE-TE A TI MESMO.

A meu ver esta frase é a chave para a compreensão de todo o universo!

Só conseguimos compreender as outras pessoas depois que aprendemos a nos conhecer, sem máscaras, sem ilusões. Quando aprendemos a enxergar sem medo nossas qualidades e defeitos, nossos sentimentos e desejos mais profundos, estamos aprendendo também a enxergar o próximo, porque o próximo também tem qualidades e defeitos, também anseia por algo, também sente medo.

Começamos aos poucos a enxergar o mundo à nossa volta e as pessoas que dele fazem parte, de outra forma, mais real, mágica! Aos poucos e naturalmente a sensibilidade vai aflorando até que sejamos capazes de compreender o real significado de um olhar, de uma palavra, um gesto.

É um caminho sem volta sim, pois toda a inocência é perdida, a realidade se mostra totalmente, às vezes de maneira cruel. Por um lado é muito bom, pois estaremos preparados para os acontecimentos, mas por outro… Às vezes é melhor não saber, não intuir e enxergar aquilo que gostaríamos que não fosse real.

Os inocentes são felizes, mas são cegos. Aqueles que conseguem enxergar além do superficial também são felizes, mas de uma felicidade sólida, com os pés fincados no chão, pois antes de tudo conhecem a si mesmos!

* Texto de 2005, época em que eu refletia muito sobre as questões universais e filosóficas, muito antes de me trancar tão profundamente por dentro. Saudades destas reflexões.





Alusões de verdades

25 11 2010

Galaxy

 

“Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo”

 

 (Inscrição no oráculo de Delfos,

atribuída aos Sete Sábios (650 a.C.- 550 a.C.))





Voltaire, Voltaire

17 11 2010

Clock

Estou adorando ler Voltaire, em breve pretendo rechear a categoria “Leituras” com minhas impressões sobre algumas de suas obras, por ora deixo uma de suas frases, para reflexão:

“O mundo me intriga. Não posso imaginar que este relógio exista e não haja relojoeiro.”

 (Voltaire)





Iluminando Trevas

2 08 2010

Aconteceu de novo. Após terminar a leitura da versão três do meu primeiro romance, a sensação de “Ainda não é isso…” insistia em se fazer presente. Então voltei ao doloroso (e necessário) exercício de auto-análise, torcendo para encontrar o motivo de tanto descontentamento.

E encontrei.

Simples? Claro que não!

Boa parte dos escritores são pessoas sensíveis, observadoras e um tanto (em alguns casos esta característica é predominante) egocêntricas, do tipo que uma crítica a respeito de seus textos gera uma avalanche de outros textos, difamando o ser que se atreveu a fazer uma análise do que leu. Não serei hipócrita de negar que certas críticas, mesmo construtivas, doem. Mas são necessárias. E foram justamente as críticas, de pessoas que não me conhecem e que não se sentem na obrigação de serem cordiais, que me ajudaram a entender o que me incomodava nos meus textos.

E o que tanto me incomodava?

Cometi os erros básicos de todo escritor iniciante quanto aos seus personagens, sentia que eles não me convenciam, salvo os personagens de crônicas. Eram apenas nomes dentro de um texto, com uma descrição física e ações mecânicas, superficiais. Este foi o primeiro ponto identificado.

Comecei a prestar atenção aos enredos que chamavam minha atenção e que não evanesciam da memória tão logo a leitura terminasse. Não por coincidência eram textos com personagens ricos, apresentados em várias nuances ao longo da história.

Outro ponto que também me chamou a atenção foi a ambientação do local das ações. Em alguns textos não era possível visualizar com clareza o ambiente em que as ações se passavam, já em outros parecia que eu estava no local, observando o decorrer da história de dentro dela! Eis a fórmula. Porém há o desafio de descrever na medida certa, sem cansar o leitor.

Em paralelo a estas constatações, sigo afirmando a importância da fase de pesquisa. Isso mesmo. Um verdadeiro garimpo de detalhes que fazem a diferença. Na minha opinião, melhor do que apenas dizer que meu protagonista segue ideais iluministas, é convencer meu leitor através de sua conduta, diálogos e ações de que ele é um verdadeiro lorde inglês, seguidor do racionalismo filosófico de sua época.

Para tanto, decidi mergulhar na leitura do legado dos filósofos iluministas. Quero entender suas idéias, convicções, seus argumentos e ter o máximo de informações do pensamento filosófico da França e Inglaterra do século das luzes. Acredito que desta forma será mais fácil dar a profundidade necessária aos meus personagens e ao enredo.

Depois desta auto-análise, recorro ao exercício de reescrever pela quarta vez meu primeiro romance. E o reescreverei pela centésima nona vez se for necessário, até que me convença. O objetivo é fazer a sensação de “Ainda não é isso…” desaparecer por completo.

E aos leitores deste espaço aviso que o blog ficará ligeiramente abandonado pelos próximos meses, mas será por um bom motivo. Afinal, não posso deixar Descartes, Rousseau, Voltaire e Diderot sem uma companhia feminina. 😉





Sabedoria

1 11 2008

Estava em uma destas casas de chá aguardando sua esposa, pois não tinha paciência de andar por aquelas ruas movimentadas do centro de São Paulo. Quando os setenta anos já foram há muito superados, a vida começa a impor certos obstáculos físicos, muitas vezes difíceis de se transpor. O espírito ainda é jovem e fugaz, mas o corpo não mais obedece aos seus comandos de imediato e então resta se contentar com a experiência traduzida no rosto pelas rugas.

Pediu um chá de limão sem açúcar e antes que pudesse saborear a tépida bebida, seus olhinhos se fixaram na abinha do sachê. Colocou os óculos lentamente e leu o que estava escrito:

“Nos olhos de um jovem arde a chama. Nos do velho brilha a luz (Victor Hugo)”.

Sorriu de lado, mais uma de suas crenças se confirmava. Ele acreditava piamente nos sinais divinos, sabia que os Deuses brincavam conosco o tempo todo e que colocavam as pessoas certas nos lugares certos para desfrutarem de sua sabedoria.

E aquele era um desses momentos. Sentia o peso da idade no corpo, mas ao mesmo tempo sentia sua alma pulsar como se o tempo não tivesse passado.

Mas não podia reclamar, afinal havia aproveitado muito bem os tempos de juventude. Ainda se lembrava de quando encontrou sua esposa pela primeira vez, ela era uma garota sonhadora e ele um jovem poeta, destes que vêem a beleza onde os outros não enxergam de imediato.

Sua sensibilidade poética havia feito dele um exímio observador da alma humana, e uma questão que sempre lhe ocorria era a do aprendizado ao longo da vida. Em seus julgamentos se perguntava: De que adianta adquirir cultura e sabedoria se não for para compartilhar? Ele mesmo procurava compartilhar as lições aprendidas e incitava seus filhos e netos a fazerem o mesmo.

Considera que o conhecimento restrito apenas para quem o obteve é como água represada que acaba por apodrecer, diferente da água corrente que fertiliza o solo, evapora e retorna com a chuva em um ciclo infindável e que beneficia a todos.

Divagando sobre o assunto, entre um e outro gole de chá, chegou a conclusão que deste mundo nada se leva de material quando partimos. Mas podemos deixar boas lembranças e ensinamentos. E a sabedoria que naturalmente vem ao longo do caminho é uma riqueza que vamos adquirindo aos poucos, dia a dia, obstáculo a obstáculo transposto. A cada momento temos a oportunidade de aprender, seja com os nossos erros, seja com os nossos acertos.

Pousou a xícara no pires e ficou com uma expressão séria, pensou nas pessoas que desperdiçavam a chance de aprender a cada dia. Havia muitas pessoas que se julgavam donas da verdade, completas e absolutas. Conheceu muitas pessoas assim, para estas ele lamentava pelo quanto estavam cegas por dentro.

Aprendeu ao longo do caminho que a sabedoria não é apenas para os cultos e os intelectuais, ela reside também nos mais humildes e com mais facilidade, pois o conhecimento vivido e não apenas lido fica gravado na alma. Todos trazemos as marcas das batalhas e com cada uma delas vamos nos lapidando, caindo e levantando!

Já terminava o chá quando avistou sua esposa à sua procura, ele a olhou com os mesmos olhos iluminados da juventude, certas coisas o tempo não consegue apagar. Ela era o seu maior presente, sua companheira e a mulher mais doce que já conhecera. O amor daquela mulher fez com que ele mergulhasse no profundo de si mesmo, tanto para entender o que sentia como para buscar o que havia de mais belo em si e lhe oferecer.

Pagou a conta e foi em direção à sua esposa com a certeza de que o conhecimento do amor verdadeiro é a forma mais completa de se alcançar a sabedoria.





O Mundo de Sofia

12 10 2008

A história começa com fatos misteriosos que passam a fazer parte do cotidiano de uma adolescente prestes a debutar, seu nome é Sofia.

A leitura do calhamaço de Jostein Gaarder é instigante pela qualidade narrativa da história da filosofia ocidental, desde a antiguidade clássica até os dias atuais.

E toda esta descrição de teorias das personalidades marcantes para o pensamento filosófico ocidental, que vão desde Tales de Mileto até Darwin, chegando até os contemporâneos, é feita em forma de diálogos entre a jovem Sofia e o seu professor de filosofia. Juntos, passam a fazer parte de uma história paralela. Que os faz formular seu próprio pensamento filosófico a respeito dos acontecimentos estranhos que lhes cercam e que são causados pela figura onipresente de um major, que envia postais do Líbano para sua filha Hilde, através de Sofia. O grande mistério é que Sofia não conhece ninguém com este nome. Aos poucos esta história paralela é desvendada, andando de mãos dadas com as lições passadas pelo professor de filosofia.

Todas as lições são muito bem exemplificadas pelo professor que sempre atende aos apelos de sua dedicada aluna, fazendo com que a leitura seja agradável, por mesclar momentos de filosofia pura com cenas engraçadas do universo que cerca Sofia e mais para o final do livro por cenas um tanto bizarras.

Dos poucos mais de trinta capítulos, todos com um título e uma frase que religiosamente será encontrada ao longo do texto, o leitor pode saber por antecedência qual será o assunto ou a personalidade tratada nas próximas páginas.

Apesar de ser um romance de ficção, o livro trás muitas informações sobre os filósofos e a arte e cultura de suas épocas, explanando os motivos que fizeram de Sócrates, Descartes, Locke, Kant, Marx dentre outros, figuras tão importantes da época em que viveram

O Autor

Jostein Gaarder, norueguês, nasceu em 1952; estudou Filosofia, Teologia e Literatura. A partir de 1991 ganhou projeção internacional com o Mundo de Sofia.

O Livro

GAARDER, Jostein. “O Mundo de Sofia: Romance da história da Filosofia”; tradução de João Azenha Jr.

São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Título Original: Sofies verden.

ISBN: 978-85-7164-475-5.

560 páginas.