O lapidar do estado bruto

16 05 2011

Ruby

Quando estava planejando aquele que denominei projeto Alpha, fiz o exercício de escrever a sinopse dos enredos que iria trabalhar. Este exercício fez com me desse conta de uma série de recorrências em meus textos, que mostram nada mais do que projeções psicológicas de alguém acostumado a transmitir para o papel não apenas suas impressões, mas muito de seus pensamentos incontidos.

Um dos temas recorrentes em minhas sinopses originais é a noiva que abandona o noivo no altar, seja por não amá-lo, por uma fagulha de lucidez ou o simples fato da não abdicação da liberdade.

O segundo tema recorrente é a vingança, a forma de cada personagem de fazer a sua desforra e provar algo, seja a si mesmo, seja àqueles que lhe humilharam. A superação de uma opinião formada injustamente é algo que impulsiona protagonistas e antagonistas a amadurecer e se libertar de algo que os oprime.

Há também a recorrência daquilo que chamo de “síndrome da Phoenix”, o protagonista segue com seus desafios, quase morre, mas ressurge fortificado, após experimentar o aprendizado pela dor.

Foi fantástico perceber estas recorrências e mais ainda entender que o que difere um protagonista de um antagonista nos meus enredos é a forma como ele lida com a ética e com os sentimentos alheios. Ambos têm qualidades significativas e defeitos, afinal todos nós também temos.

A imperfeição é uma característica inerente da espécie humana. E é justamente isso o que procuro preservar nos textos, o lado humano dos personagens, aqui não há lugar para mocinhos e mocinhas inocentes e desprevenidos, isso é utopia! No século XXI quem age como um protagonista dos folhetins do século XIX não convence.

Por este motivo sou fã dos anti-heróis, é uma das formas mais fáceis de humanizar um personagem, além de ser mais divertido, confesso. Por que esperar pela ultima página para conhecer a desforra do protagonista se ao longo do texto ele também pode ir deixando a sua marca? Não é absolutamente necessário que o antagonista se dê bem ao longo de toda a história e encontre seu castigo somente no final, o protagonista também pode (e deve) dificultar seus passos.

Contudo, para que este discurso em favor dos anti-heróis funcione é necessário o termômetro que indique a medida certa, a lapidação do estado bruto. É nesta hora que as técnicas literárias entram em cena, neste fumegante caldeirão de ideias e preferencias, as pitadas devem ser meticulosamente dosadas a fim de proporcionar aos leitores textos apetitosos, dignos de releituras futuras.

Na minha opinião um bom escritor é também um lapidário, naturalmente no sentido figurado, já que faz parte do nosso ofício lapidar ideias brutas com a pretensão de transformá-las em um produto do entretenimento.





Lançamento Duplo: A Situação e Extraneus – Volume 2

10 03 2011

 Lançamento Duplo





Retrospectiva de Leituras 2010

27 12 2010


– Cândido ou o Otimismo – Voltaire

– O silêncio dos inocentes – Thomas Harris

– Hannibal – Thomas Harris

– Dragão Vermelho – Thomas Harris

– Os melhores contos brasileiros de ficção científica – Roberto de Sousa Causo

– Estudos sobre a leveza – Fernando de F. L. Torres

– O Diário do Diabo – O Próprio

– O Escaravelho do Diabo – Lúcia Machado de Almeida (Releitura)

– O demônio da meia-noite – Luiz Galdino (Releitura)

– A mulher de trinta anos – Honoré de Balzac

– Mar morto – Jorge Amado

– Cinco minutos – José de Alencar

– Aventuras inéditas de Sherlock Holmes – Sir Arthur Conan Doyle

O Ritual Musgrave e Outras Histórias – Sir Arthur Conan Doyle

– Um escândalo na Boêmia e outras histórias – Sir Arthur Conan Doyle

– O signo dos quatro – Sir Arthur Conan Doyle

– O roubo da coroa de berilos e outras aventuras – Sir Arthur Conan Doyle

– O jogador desaparecido e outras aventuras – Sir Arthur Conan Doyle

– O cão dos Baskervilles – Sir Arthur Conan Doyle

O Vale do Terror – Sir Arthur Conan Doyle

Um estudo em vermelho – Sir Arthur Conan Doyle

– A juba do leão e outras histórias – Sir Arthur Conan Doyle

O ultimo adeus de Sherlock Holmes – Sir Arthur Conan Doyle

– O vampiro de Sussex e outras histórias – Sir Arthur Conan Doyle

– O Enigma do Coronel Hayter e Outras Aventuras – Sir Arthur Conan Doyle

– O símbolo perdido – Dan Brown

A Filha da Noite – Marion Zimmer Bradley

– A Droga da Obediência – Pedro Bandeira

– Kama Sutra XXX – Alicia Gallotti

– Delta de Vênus – Anaïs Nin

– O doce veneno do escorpião – Bruna Surfistinha

O homem de gelo – Phillip Carlo

– Giselle, a amante do inquisidor – Mônica Castro

– Seu signo e suas vidas passadas – Elaine Bernardes

O jogo do eu – R.D. Silva

– A Magia dos sonhos – Adilson Rodrigues

– Calunga – Tudo pelo melhor Luiz Gasparetto

– A magia dos anjos cabalísticos – Mônica Buonfiglio

A lista não está longa quanto nos anos anteriores, descobri que ler ao fim do dia, cansada depois de um dia de trabalho não é nada produtivo. O sono me vencia antes de terminar o terceiro capítulo da noite. Mudarei de tática em 2011.

Não apenas a lista está menor como também bastante diferente da lista planejada no início do ano, quando apresentei minha fila de leitura no texto O Guardião da Fila. Como muitos amigos e colegas de trabalho sabem o quanto gosto de ler, não é raro que espontaneamente me emprestem seus livros favoritos. Fico feliz por perceber que cada vez mais pessoas do meu círculo social (e que não são escritores) se interessem por leituras não acadêmicas ou obrigatórias.

A lista de livros devorados deixa clara a diversidade de leituras, seguindo minha idéia de que um escritor tem que ler de tudo para ampliar suas percepções entre os diversos gêneros e estilos de escrita.

Descobri Thomas Harris, um astuto escritor que embalou muitas das minhas noites com seus enredos de suspense policial, sensuais e inteligentes. Através de “O silêncio dos inocentes”, “Hannibal” e “Dragão Vermelho” constatei as diversas facetas do Dr. Lecter, um personagem do mal e perigosamente carismático. Ironicamente pretendia ler “Hannibal, a origem do mal” e acabei lendo os outros três, o “final” da saga de Lecter fica para o ano que vem.

Desta lista me arrependo das duas releituras: “O Escaravelho do Diabo” e “O Demônio da Meia Noite”, livros que marcaram minha pré-adolescência, mas que lidos por um par de olhos já adultos perdeu o encanto. Fica a lição e a promessa de não mais reler os livros desta época.

Passei boa parte do ano entretida com as investigações de Sherlock Holmes, foram quatro romances e nove coletâneas de contos, que muito me auxiliaram nas reflexões sobre os elementos que tornam as histórias convincentes e interessantes. Palmas para Arthur Conan Doyle!

Por conta de um projeto literário que tenho em mente, passei a ler também alguns exemplares da literatura erótica, como Anaïs Nin e Alicia Gallotti, que não me decepcionaram com “Delta de Vênus” e “Kama Sutra XXX”, respectivamente. Ficam na fila “Sexus”, “Plexus” e “Nexus”, ambos de Henry Miller e “Novelas nada exemplares” de Dalton Trevisan, a conferir.

Seguindo minha linha eclética de leituras, deixei espaço também para livros psicografados, como “Calunga – Tudo pelo melhor” e “Gisele – A amante do inquisidor”, ambos sugeridos por amigos. Recomendo a leitura entre um livro e outro de ficção, é interessante.

E quanto aos livros cuja leitura ficou para 2011? Não estou preocupada, sei que a fila mudará bastante ao longo do ano e que muitos outros livros chamarão minha atenção, me fazendo permutar as prioridades de leitura. Acredito que, como a escrita, a leitura deve ser um prazer e não carregar o pesado fardo da obrigação. Até 2011!





A Filha da Noite

6 12 2010

Sabe aqueles livros que à primeira vista parecem ingênuos, mas que te ganham pela mensagem nas entrelinhas? A leitura de A Filha da Noite foi assim, agradável e edificante.

Lendo a sinopse descobri que se trata de uma adaptação da ópera A Flauta Mágica, de Mozart, cujo enredo dá sinais bem claros dos ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade.

Marion Zimmer Bradley nos conta de forma bela a saga de Tamino e Pamina, dois jovens que são submetidos aos ordálios no castelo de Zarastro e perseguidos pela Rainha Estrela, arquiinimiga do Rei Sol. Em paralelo, outro casal também se forma: Papagueno, o homem pássaro e sua companheira Papaguena, representantes dos halflings.

Ao longo da leitura foi interessante perceber que um simples teste de disciplina pode dizer muito sobre o iniciado, suas reais convicções e seu caráter. A evidência disso se dá quando Monostatos, herdeiro da grande serpente e Tamino, príncipe do Oeste, são submetidos ao mesmo teste e ambos têm posturas diferentes, revelando o que trazem dentro de si.

No mais a história segue descrevendo os ordálios dos quatro elementos com o desempenho de Tamino e Pamina, superando seus medos e suas dúvidas para no final alcançarem a sabedoria.

 

O Livro

 

              

BRADLEY, Marion Zimmer. “A Filha da Noite”;  tradução de Marcos Roma Santa.

Rio de Janeiro: Imago, 1986.

Título Original: Night’s Daughter.

174 páginas.





Iluminando Trevas

2 08 2010

Aconteceu de novo. Após terminar a leitura da versão três do meu primeiro romance, a sensação de “Ainda não é isso…” insistia em se fazer presente. Então voltei ao doloroso (e necessário) exercício de auto-análise, torcendo para encontrar o motivo de tanto descontentamento.

E encontrei.

Simples? Claro que não!

Boa parte dos escritores são pessoas sensíveis, observadoras e um tanto (em alguns casos esta característica é predominante) egocêntricas, do tipo que uma crítica a respeito de seus textos gera uma avalanche de outros textos, difamando o ser que se atreveu a fazer uma análise do que leu. Não serei hipócrita de negar que certas críticas, mesmo construtivas, doem. Mas são necessárias. E foram justamente as críticas, de pessoas que não me conhecem e que não se sentem na obrigação de serem cordiais, que me ajudaram a entender o que me incomodava nos meus textos.

E o que tanto me incomodava?

Cometi os erros básicos de todo escritor iniciante quanto aos seus personagens, sentia que eles não me convenciam, salvo os personagens de crônicas. Eram apenas nomes dentro de um texto, com uma descrição física e ações mecânicas, superficiais. Este foi o primeiro ponto identificado.

Comecei a prestar atenção aos enredos que chamavam minha atenção e que não evanesciam da memória tão logo a leitura terminasse. Não por coincidência eram textos com personagens ricos, apresentados em várias nuances ao longo da história.

Outro ponto que também me chamou a atenção foi a ambientação do local das ações. Em alguns textos não era possível visualizar com clareza o ambiente em que as ações se passavam, já em outros parecia que eu estava no local, observando o decorrer da história de dentro dela! Eis a fórmula. Porém há o desafio de descrever na medida certa, sem cansar o leitor.

Em paralelo a estas constatações, sigo afirmando a importância da fase de pesquisa. Isso mesmo. Um verdadeiro garimpo de detalhes que fazem a diferença. Na minha opinião, melhor do que apenas dizer que meu protagonista segue ideais iluministas, é convencer meu leitor através de sua conduta, diálogos e ações de que ele é um verdadeiro lorde inglês, seguidor do racionalismo filosófico de sua época.

Para tanto, decidi mergulhar na leitura do legado dos filósofos iluministas. Quero entender suas idéias, convicções, seus argumentos e ter o máximo de informações do pensamento filosófico da França e Inglaterra do século das luzes. Acredito que desta forma será mais fácil dar a profundidade necessária aos meus personagens e ao enredo.

Depois desta auto-análise, recorro ao exercício de reescrever pela quarta vez meu primeiro romance. E o reescreverei pela centésima nona vez se for necessário, até que me convença. O objetivo é fazer a sensação de “Ainda não é isso…” desaparecer por completo.

E aos leitores deste espaço aviso que o blog ficará ligeiramente abandonado pelos próximos meses, mas será por um bom motivo. Afinal, não posso deixar Descartes, Rousseau, Voltaire e Diderot sem uma companhia feminina. 😉





Lançamento: UFO Contos não Identificados

6 07 2010

 Lançamento





Ele é o meu tipo!

11 04 2010

Muitos sabem do quanto sou discreta quando o assunto gira em torno de minhas paixões, porém mesmo sendo volúvel neste aspecto, preciso escrever sobre o escolhido da vez. Confesso que já me apaixonei por outros, mas esta é uma relação de quatro livros, não algo superficial como um mero conto, lido no fim da noite.

Quem é ele?

Sherlock Holmes, naturalmente. Inteligente, sagaz, analítico e com oscilações de humor que vão desde a euforia de uma criança com um brinquedo novo até a mais profunda introspecção.

Ele é o máximo!

Desde que assisti ao filme, venho lendo alguns livros de Sir Arthur Conan Doyle e, se antes já me divertia com Edgard Allan Poe e seu C. Auguste Dupin, uma espécie de precursor de Sherlock Holmes, agora tenho diversão garantida com os contos de Doyle.

Segue o resumo de alguns dos livros que devorei nos últimos tempos (sem spoilers):

 UM ESTUDO EM VERMELHO

Redundante dizer que esta é a primeira aventura de Sherlock Holmes e blá, blá, blá. Uma das partes instigantes deste livro é o encontro de Holmes com aquele que viria a ser o seu companheiro de aventuras: Dr. Watson. Fragilizado desde o seu retorno da guerra afegã, Watson espanta o tédio observando (e analisando) seu companheiro de apartamento. E a cada dia se surpreende com sua inteligência analítica, grande poder de dedução e teorias singulares.

É interessante observar o modo como Conan Doyle apresenta Holmes sem descuidar de Watson, pois ele também não deixa de ser um personagem importante, sempre fazendo perguntas pertinentes e servindo de testemunha da metodologia do detetive e, à partir de então, relator de suas aventuras.

A capacidade dedutiva de Holmes chega à beira da obsessão, prestando atenção a detalhes normalmente imperceptíveis aos demais, mesmo aos investigadores Lestrade e Gregson da Scotland Yard. Ele parece se divertir com isso, apesar da cordialidade que mantém com os investigadores. Contudo há um clima de competição (sadia é claro) entre ele e os demais, que muitas vezes se irritam com o seu modo arrogante e por vezes um tanto rude de falar sobre seus progressos no caso.

O enredo gira em torno de um assassinato. O cadáver não possui marcas de ferimentos mortais, contudo o cômodo onde o corpo repousa está salpicado com gotas de sangue. Seriam do assassino? Para complementar o mistério, não há sinais de luta entre a vítima e seu agressor.

Holmes coleta todas as informações na cena do crime e, antes que a identidade do assassino seja revelada, Conan Doyle usa o artifício de uma história paralela, onde o leitor conhece o passado da vítima e as motivações do seu assassino.

Sua prisão é o que menos importa, o grande barato (na minha opinião) é a caça, as deduções, as linhas de raciocínio que levam os três investigadores envolvidos por caminhos distintos. Um ótimo começo!

Dados do Livro

 

DOYLE, Sir Arthur Conan. “Um Estudo em Vermelho”; tradução de Rosaura Eichenberg.

Porto Alegre: L&PM, 2008.

Título Original: A Study in Scarlet.

ISBN: 9788525408112.

168 páginas.

 

  

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 O RITUAL MUSGRAVE E OUTRAS AVENTURAS

Este livro é uma coletânea de seis contos, sendo eles:

O Rosto Amarelo

Um jovem casado procura o detetive por conta de um problema particular envolvendo sua esposa, que passa a agir de forma estranha desde que o chalé em frente a sua residência foi alugado. O jovem cita uma figura que aparece à janela o qual não consegue identificar se é um homem ou uma mulher, mas que possui uma expressão sinistra e a face de uma cor estranha, amarelada.

Holmes elabora uma teoria e a comenta com Watson. No dia seguinte, apesar das tentativas de sua esposa de dissuadi-lo, acompanhado de Holmes e Watson, seu marido entra no chalé e o enigma é resolvido.

Neste conto, Watson comenta que não são todos os casos que são plenamente solucionados por Holmes, em alguns como este e “O Ritual Musgrave”, apesar dele se enganar, o final da história é conhecido. Uma grande sacada de Conan Doyle, que torna seu personagem mais humano.

 

O Ritual Musgrave (Favorito!) 🙂

Um ritual formal praticado pelos membros da família Musgrave, quando seus descendentes passam à idade adulta, contém informações que foram despercebidas por seus praticantes, porém foram decifradas por um estranho… E por Holmes também que, apesar do palpite errado, consegue concluir o final do mistério.

 

O Mistério da Rua Brook

Um médico e um paciente residente. Mais uma aventura em que a aguçada mente do detetive detecta que há algo mais na história contada por seu cliente.

Neste conto o subterfúgio foi o de que atos do passado justificam ações consideradas estranhas no presente.

 

O Caso do intérprete Grego

Foi neste conto que conheci Mycroft Holmes, irmão de Sherlock e co-fundador do Clube Diógenes. Hã? Clube Diógenes?

É um clube insólito, cujo objetivo é explicado pelo próprio detetive:

“(…) existem muitos homens em Londres que, por algum tipo de timidez ou aversão a outras pessoas, não gostam de companhia. Por outro lado, não desgostam de poltronas confortáveis e de ler os últimos periódicos. Foi para atender a estas pessoas que criaram o Clube Diógenes, que hoje agrega os homens mais insociáveis da cidade. (…) A não ser na Sala dos Estranhos, não é permitido conversar, sob nenhuma hipótese.”

Segundo a descrição de Holmes, seu irmão possui as mesmas habilidades que ele, com a diferença que as utiliza como exercício intelectual, ao passo que ele faz destas habilidades o motor de sua profissão. O caso gira em torno de um vizinho de Mycroft, um intérprete grego que se vê às voltas com uma estranha situação em que seus conhecimentos da língua grega foram solicitados. Ele não imagina o perigo que corre até dividir sua história com o detetive.

 

O Tratado Naval

Um documento secreto é roubado e este roubo coloca em risco a reputação profissional do jovem Percy Phelps, antigo colega escolar de Watson e sobrinho de um influente diplomata. Holmes resolve o caso, surpreendendo a todos quando revela o nome do ladrão.

 

O Problema Final

Conto emblemático onde Conan Doyle encerra a vida do famoso detetive.

Holmes se vê face a face com seu arquiinimigo, o Professor Moriarty. Seu rival é, segundo o próprio detetive, o único que se iguala a ele em inteligência, o que faz do conto uma luta feroz entre dois homens geniais, mas que usam suas faculdades mentais com objetivos diferentes. Foi astuciosa a forma como o autor conduziu o enredo, fazendo o vilão perseguir o mocinho, uma inversão de papéis interessante.

Dados do Livro

 

DOYLE, Sir Arthur Conan. “O ritual Musgrave e Outras Aventuras”; tradução de Antônio Carlos Vilela.

São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006.

Título Original: The Adventures of Sherlock Holmes.

ISBN: 8506044189.

120 páginas.

 

 

 

   

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O VALE DO TERROR

Este é um romance com um enredo bem elaborado. No começo, aparentemente mais um caso para Holmes, o assassinato de um homem, vítima de um disparo com uma arma que explodiu sua face, mas há algo mais…

Como ocorre em “Um Estudo em Vermelho”, uma história paralela complementa e justifica o título sombrio. Aliás, outro ponto que passei a admirar em Conan Doyle: os títulos que escolhe para suas histórias. Somente no final da leitura, naqueles momentos reflexivos sobre o que acabamos de ler, é que fica evidente a escolha do autor para denominar as aventuras de Holmes.

Dados do Livro

 

DOYLE, Sir Arthur Conan. “O Vale do Terror”; tradução de Antônio Carlos Vilela.

São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006.

Título Original: The Valley of Fear.

ISBN: 8506039401.

150 páginas.

 

  

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O ULTIMO ADEUS DE SHERLOCK HOLMES

Este livro também é uma coleção de contos, todos bem interessantes. Aqui também há um favorito entre os sete enredos.

O Tigre de São Pedro

Holmes ao lado do inspetor Baynes, coleciona pistas sobre um intrincado caso de vingança, envolvendo dois grupos de pessoas misteriosas. O conto é dividido em duas partes, a primeira informando os dados de um assassinato e a segunda o desfecho da história.

 

Os Planos do Submarino Bruce-Partington

Mais um conto em que Mycroft Holmes, irmão do detetive, aparece. Desta vez lhe trazendo um caso envolvendo a morte de Cadogan West, um jovem encontrado morto nos trilhos do metrô de Londres e de posse de alguns desenhos técnicos, os planos do submarino Bruce-Partington. O desafio de Holmes é descobrir onde estão os três desenhos mais importantes que estão faltando e que não estavam com a vítima.

 

O Pé-do-Diabo

Por conta de seus exageros mentais, Sherlock Holmes foi proibido de continuar suas investigações até que sua saúde se reerguesse e por isso passou uma temporada em um chalé, na extremidade da Península da Cornualha. Foi lá que teve conhecimento de um caso curioso.

Após visitar seus três irmãos, um homem os deixa e retorna para sua casa.

No dia seguinte é chamado às pressas e se depara com uma cena terrível: Seus dois irmãos estão enlouquecidos e sua irmã está morta. Mais um caso que foi astuciosamente solucionado pelo detetive.

 

O Círculo Vermelho (Favorito!) 🙂

Um hóspede de hábitos mega estranhos faz com que a dona da pensão venha em busca do auxílio de Holmes. Investigando a história, o detetive percebe que tanto mistério acerca do hóspede tem um motivo importante, um caso de vida ou morte que justifica seus atos.

 

O Desaparecimento de Lady Frances Carfax

Uma senhora rica e solteira fugindo de um homem de hábitos selvagens.

Assim começa o enredo inicialmente investigado por Watson e que guarda surpresas até o seu desfecho. Este foi o primeiro enredo em que consegui descobrir a manobra dos criminosos antes de ler o final. Quem disse que a arte da dedução é privilégio apenas de Holmes? 😉

 

O Detetive Agonizante

O famoso detetive contrai uma doença contagiosa e está prestes a deixar Londres à mercê dos criminosos, privando a todos de sua mente brilhantemente analítica. Somente com a ajuda de Watson este quadro triste pode se reverter.

 

O Último Adeus – Sherlock Holmes e o Esforço de Guerra

Um típico caso de espionagem, uma pena que quando este enredo foi escrito por Conan Doyle, seu famoso detetive já estava aposentado, dedicando sua inteligência a estudar as peculiaridades das abelhas em sua fazendinha em South Downs.

Dados do Livro

 

DOYLE, Sir Arthur Conan. “O Ultimo Adeus de Sherlock Holmes”; tradução de Antônio Carlos Vilela.

São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006.

Título Original: Reminiscences of Sherlock Holmes/His Last Bow.

ISBN: 8506044200.

144 páginas.

 

  

Recomendo a leitura aos que gostam de suspense policial. A maioria das motivações para os crimes ou é vingança ou a cobiça dos homens tentando levar vantagem sobre suas vítimas. Algo perfeitamente atual se analisarmos as atrocidades que o ser humano é capaz cometer, mesmo em pleno século XXI.

Claro que em alguns momentos tem passagens que pela lógica seria muito improvável uma dedução como as de Holmes, mas como se trata de uma leitura de ficção, cumpre bem o seu papel de entreter com inteligência.

Obs.: E para os que acharam que eu ia falar sobre minha vida sentimental: Há! “Pegadinha do Malandro!” 😀