Retrospectiva de Leituras 2011

19 12 2011

Confesso que este ano não fui assídua na atualização do blog, vários projetos em andamento me fizeram não dar a devida atenção a este espaço. Porém como já é de praxe, apresento a retrospectiva de leituras deste ano, afinal até dá para adiar a escrita, mas a leitura não! 😉

– A Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr

– Banquete com os Deuses – Luis Fernando Veríssimo

– Édipo Rei – Sófocles

– Fábulas – Esopo

– Micromegas e outros contos – Voltaire

– Orgias – Luis Fernando Veríssimo

– Tratado sobre a Tolerância – Voltaire

– Dr. Negro e outras histórias de terror – Arthur Conan Doyle

– Comédias para ler na escola – Luis Fernando Veríssimo

– O Jardim do Diabo – Luis Fernando Veríssimo

– Palavras de Sabedoria – Dalai Lama

– Assassinato na Academia Brasileira de Letras – Jô Soares

– Morangos Mofados – Caio Fernando Abreu

– Memória de minhas putas tristes – Gabriel Garcia Marquez

– Os devaneios do caminhante solitário – Jean Jacques Rousseau

– Piratas de Dados – Bruce Sterling

– De Roswell a Varginha – Renato Azevedo

– Água Viva – Clarice Linspector

– Uma breve história do Mundo – H.G. Wells

– A queda de Atlântida – A teia da luz – Marion Zimmer Bradley

– A queda de Atlântida – A teia das trevas – Marion Zimmer Bradley

– Os Ancestrais de Avalon – Marion Zimmer Bradley

– A Megera Domada – William Shakespeare

– O morro dos ventos uivantes – Emily Brontë

– Como manipular pessoas – Robert-Vincent Joule e Jean-Léon Beauvois

– Os Corvos de Avalon – Marion Zimmer Bradley

– O médico e o monstro – R. L. Stevenson

– Uma estação no inferno – Artur Rimbaud

– A Orgia dos Duendes – Bernardo Guimarães

– A Cartomante – Machado de Assis

– Perdas e Ganhos – Lya Luft

– A Casa da Floresta – Marion Zimmer Bradley

– A Senhora de Avalon – Marion Zimmer Bradley

– A Sacerdotisa de Avalon – Marion Zimmer Bradley

– Tempos de Algória – Richard Diegues

– A fantástica literatura Queer Vol.Vermelho – Vários Autores

– Contos e Lendas do Egito Antigo – Brigitte Évano

– Histórias de fantasmas – Charles Dickens

– Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley

– A Guerra dos Tronos: As crônicas de gelo e fogo – George R.R. Martin

– A droga do amor – Pedro Bandeira

– O fantasma de Canterville – Oscar Wilde

– A esfinge sem segredo – Oscar Wilde

– Histórias da meia noite – Machado de Assis

– O livro maldito – Christopher Lee Barish

– Quebra Tudo! – Ricardo Jordão

– Contos de Fadas – Perrault, Grimm, Andersen e outros

– A noite das Bruxas – Agatha Christie

– A fantástica literatura Queer Vol. Laranja – Vários Autores

– Dália Negra – James Ellroy

– Sobre histórias de Fadas – J. R.R. Tolkien

– O Perfume, a História de um assassino – Patrick Suskind

– A Paixão segundo G. H – Clarice Linspector

– Extraneus 1: Medieval Sci-Fi – Vários Autores

– Extraneus 2: Quase Inocentes – Vários Autores

– Extraneus 3: Em nome de Deus – Vários Autores

O ano de leituras começou bem com a “Batalha do Apocalipse”, de Eduardo Spohr, um livro com enredo longo, mas muito interessante e bem amarrado, que merece toda a badalação feita em torno dele.

Comecei a ler também livros dos filósofos do iluminismo, Voltaire e Rousseau. Voltaire, sempre afiado e irônico com suas “Micromegas e outros contos”, mas que na verdade conquistou minha atenção com o “Tratado sobre a Tolerância”. Já seu desafeto Rousseau, cujas linhas me fizeram imagina-lo como um filósofo incompreendido e constantemente perseguido por inimigos, me ganhou pela empatia, curti muito “Os devaneios do caminhante solitário”. Na verdade meu intuito é entender o pensamento destes filósofos como parte da pesquisa para um romance que, se tudo correr conforme o planejado, será escrito em 2012.

Foram muitas leituras boas em 2011, mas a que mais gostei foi, sem dúvida “A queda de Atlântida – A teia da luz”, da Marion Zimmer Bradley. Na verdade este é o primeiro livro do que costumo chamar de mega saga de Avalon, onde ao longo de 11 volumes os fãs das histórias de Sacerdotisas, Magos e busca espiritual conhecem a trajetória de diversos personagens que, após muitas vidas, aparecem renascidos nas Brumas de Avalon.

Foi muito legal ler também “Tempos de Algória”, do Richard Diegues, primeiro livro dentro do Universo de Todos os Olhos e que faz crossover com o Universo da Serpente Sagrada, cenário do meu livro com sabor de mitologia grega, a ser publicado em 2012.

Fui fisgada pela saga da Guerra dos Tronos! Apesar de ter lido apenas o primeiro volume, deixo a promessa de ler os demais no próximo ano, esta sei que não será difícil de cumprir.

Ah! E ganhei de presente de um colega de trabalho muito talentoso e querido (bjitos Douglas!) o livro “Quebra Tudo!”, do Ricardo Jordão, com dicas maravilhosas para o dia a dia do mundo corporativo e por que não também para os demais aspectos da vida?

E descobri que além de curtir romances policiais, agora também me apaixonei por romances policiais no melhor estilo noir. O culpado? James Ellroy com seu romance “Dália Negra”. Claro que já tenho outro romance dele nos planos de leitura de 2012: “Los Angeles, Cidade Proibida”. Aposto que será diversão garantida!

Outro livro que veio quase na sequencia de leituras foi “O Perfume, a História de um assassino”, do Patrick Suskind, uma história muito bem elaborada, com descrições perfeitas. O leitor quase pode sentir os aromas descritos por Suskind, maravilhoso!

E é isso. Ano que vem tem mais, muito mais! 😉

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Evento: “A Ficção Científica”

9 02 2010

“Quem nunca imaginou cenários fantásticos com carros voadores, armas lasers, viagens interplanetárias. Quem no planeta não conhece a respiração de Darth Vader ou as orelhas pontudas do Sr. Spock?

Seja as maravilhas encantadoras de desenhos como Os Jetsons, filmes séries que passavam nos tempos de nossos avós ou bisavós como Flash Gordon nos cinemas, com sua ingenuidade sobre o futuro da humanidade até o preconceito e a xenofobia de Distrito 9, a ficção sempre esteve a frente da ciência e nos trouxe calorosas discussões.

Um mundo maravilhoso onde a humanidade trabalha em conjunto como a de Star Trek, ou uma caótica com problemas ambientais de Blade Runner, a verdade é única: a ficção cientifica é muito mais do que uma simples ficção.

E no dia 20 de fevereiro, a partir das 14h30, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, o assunto será “A Ficção Cientifica”. Venha bater um papo com autores e editores, que falarão sobre o mercado nacional de ficção, como tornar-se um escritor, assistir a alguns episódios de seriados que fazem ou fizeram época.”


Serviço:

Data: 20/02/2010.

Local: Livraria Cultura – Shopping Bourbon (Rua Turiassu, 2100 – Perdizes).

Horário: 14h30 às 17h30.

Organização: Aumanack.

Apoio: Livraria Cultura.

Presenças de:

Alan Uemura, editor do site Aumanack;

Renato Azevedo, co-editor do Aumanack, consultor da revista UFO e autor do livro “De Roswell a Varginha” (Tarja Editorial);

Cristina Lasaitis, autora do livro “Fábulas do Tempo e da Eternidade” (Tarja Editorial);

Nelson Magrini, autor do livro “Relâmpagos de Sangue” (Novo Século) e “Os Guardiões do Tempo” (Giz Editorial);

Gianpaollo Celli, editor da Tarja Editorial;

Adriano Piazzi, editor da Aleph;

Rodrigo Coube, editor da Idea Editora e  

Marcus Vinicius, Presidente da Comunidade 007 Brasil, e advogado especialista em direito autoral.

Para maiores informações: aumanack@yahoo.com.br





Bazar 2010 de Literatura Fantástica

27 01 2010

Convite Bazar





O fim de tudo

1 11 2008

Era madrugada e ele estava inquieto, rastejando pelas poças d’água deixadas pela chuva. Muito ferido, o moribundo só pensava em sua vingança. Mas não havia tempo.

De repente como se o inferno abrisse suas portas, ela surgiu. Ao mirar seu olhar ele teve a certeza de que iria morrer, viu pena em seus olhos e desejou que ela não estivesse ali.

Ela se aproximou tentando conter as lágrimas, sua voz estava embargada, mas ela insistia em manter-se firme, ele não soube distinguir se para acalmá-lo ou se para não lhe dar o gosto de vê-la sofrer.

Os dois trocaram um longo olhar, que dizia muito mais do que qualquer palavra, ele então se destituiu de todo o orgulho e lhe pediu um beijo de despedida. Ela hesitou, mas se compadeceu do homem à sua frente e o beijou longamente.

A luz da lua iluminou a lâmina do pequeno canivete que ele tentava retirar do bolso.

Ela ainda o beijava quando sentiu uma dor fina em seu ventre, a dor foi ficando insuportável e ela sentia como se a cortassem ao meio!

Quis gritar, mas um líquido escorria por sua garganta, ela conhecia aquele gosto… Sangue!

Olhou para o moribundo não acreditando no que ele acabara de fazer.

Ele sofregamente sussurrou-lhe:

– Não conseguiria partir se não a levasse comigo.

Naquele momento ela sentiu um misto de ódio e amor, ele foi traiçoeiro e egoísta até mesmo em seus últimos momentos! Ela que tanto tinha a oferecer à vida, agora estava condenada a vagar ao lado dele por toda a eternidade! Ele que era a sua outra parte, ele que tanto insultara, era o seu reflexo no espelho, seu par, seu amor e o seu fim!

Knife





A sede

1 11 2008

Caminhou para um lugar onde a altitude lhe permitisse ficar sozinho.

Respirou o ar noturno e desejou conseguir visualizar a imagem dela assim que fechasse os olhos. Sorveu um gole do cantil que trazia consigo e sentiu o gosto amargo da bebida alcoólica. O líquido que desceu vagarosamente por dentro dele, esquentou aos poucos o seu corpo inerte, lhe fazendo reabrir os olhos lentamente.

O vento passava por sua face e desmanchava seus longos cabelos, enquanto ele refletia sobre o próximo passo. Não demorou muito e o seu objeto de desejo apontou na cidade, abaixo de seus pés!

Os muitos séculos de sobrevivência na podridão abrigada pela noite, fizeram dele um exímio caçador, daqueles que não se enganam sobre os passos e o aroma de sua presa.

Ela caminhava solitária e distraída pelas ruas desertas, parecia agradecer a brisa noturna, pois sabia que ela lhe traria algo de novo, não saberia dizer se bom ou ruim, mas ainda assim algo novo.

Ele a olhava fixamente quando sentiu que não poderia mais lutar contra si mesmo, sentiu o corpo inteiro pulsar e foi ao encontro do seu desejo.

Tudo aconteceu tão de repente! Ela não teve tempo de gritar, de correr ou de olhar profundamente em seus olhos, mas sentiu a força dos seus braços a enlaçá-la.

Ele por sua vez, sorveu goles generosos de sua essência, mas parou bruscamente ao ouvir um som que desde o seu primeiro suspiro o perturbava: O ribombar do coração dela.

Parou por alguns instantes, como que para se libertar do impacto daquele som, mas foi inútil.

Assim que retornou a saciar sua sede, novamente a pulsação acelerada daquela mulher o repeliu, aquele som que parecia lhe dizer:

“Não vou ceder! Vou sobreviver!”

Sua sede não era mais a mesma, decidiu rapidamente parar com aquela loucura, ergueu a mulher em seus braços e a deixou em um local seguro, ela que parecia dormir, suspirou sem forças, completamente indefesa.

Ele lentamente deu alguns passos para trás, não se furtando de olhá-la e mordendo os próprios lábios, até sangrá-los.

Retornou para o seu refúgio, o lugar de onde não deveria ter saído naquela noite.

Blood





A rua maldita

1 11 2008

A rua estava completamente deserta. Havia alguns postes iluminando as calçadas, mas havia vãos onde a iluminação não chegava e nestes vãos eles permaneciam ocultos…

Passou por uma avenida e após aguardar pacientemente os carros pararem no sinal, foi na direção da rua amaldiçoada, como era conhecida no bairro.

Ela não sabia deste detalhe, andou livremente provida apenas da precaução natural das mulheres que andam sozinhas à noite.

Eles ouviram seus passos rápidos e resolutos, mas nem precisariam escutá-los, pois o vento frio da noite já havia lhes trazido o seu cheiro.

Os passos foram ficando cada vez mais próximos e com ele o som da respiração da presa. Um segundo foi o suficiente para decidirem quem daria o bote fatal. Decidido o algoz, este partiu a fim de realizar o seu intuito.

De repente um grito apavorado cortou a madrugada.

Eles aguardavam ansiosamente a volta de seu companheiro e se assustaram ao ficar frente a frente com a mulher que haviam desejado!

Ela trazia a roupa manchada de sangue e o olhar aterrorizador que somente os animais sagazes possuem ao estudarem suas presas. Gritaram ainda surpresos, tentando fugir, mas ela os abateu um a um, com o lascivo gosto de sobrepujar aquele bando de carniceiros que dominavam a rua.

Anos se passaram.

Eles já não habitam a rua, que continua sendo amaldiçoada, mas agora com uma maldição mais polida, friamente manipulada por uma sedutora mulher.





Transformação

1 11 2008

Há muito o parque estava fechado, já passava das vinte e três horas e trinta minutos. Mas ele precisava ficar sozinho. Assim, perdido em seus pensamentos, era possível pensar nas loucuras que fora obrigado a cometer, por conta da vida que passou a ter. Talvez precisasse decidir um novo rumo a seguir.

Caminhava sem um destino certo pelo parque, que também abrigava um antigo museu. A lua cheia ia alta no céu, iluminando os seus passos mesquinhos.

Visualizou uma ponte e resolveu percorrê-la, ao final do estreito caminho fitou as águas escuras do pequeno riacho abaixo de seus pés.

Um vento frio soprou e ele sentiu um arrepio na espinha, mau presságio…

Voltou o olhar mais uma vez para o riacho e viu o reflexo da lua nas águas, foi neste momento que ele o sentiu…

***

O vento trouxe o seu aroma. Procurou por alguns instantes e o encontrou pensativo na velha ponte. Sentiu nitidamente que ele pressentiu algo, mas ainda assim não tomou nenhuma atitude, presa fácil. Pagará caro por subestimar a sua intuição.

Preparava-se para saltar na presa quando ele o viu, sua expressão foi de incredulidade em um primeiro momento, depois não fez outra coisa senão correr e correr.

A fera se enfureceu e correu atrás de sua presa, que esqueceu momentaneamente os seus pensamentos e apavorado só pensava em percorrer novamente o caminho que o levaria para longe daquele parque.

Já podia sentir o gosto de sua presa, suado e ofegante. Tentando inutilmente conter o que não pode ser contido.

Uma sucessão de passos se ouvia, ora o da presa apressada, ora o da fera sedenta.

Passos rápidos, pisadas precisas. Pés descalços, patas libertas. Medo, ansiedade. Pavor, fome.

São dois, em apenas um. A lua não mais encoberta não pode lhe conter. A fera se apoderou do homem, nada mais podia conte-lo até a lua deixar o céu sob a fase amaldiçoada.

Qual era a sua verdadeira natureza? A presa descrente? A fera furtiva?

Ou os dois o habitavam?