Lançamento: UFO Contos não Identificados

6 07 2010

 Lançamento





Olhos Verdes

9 06 2010

Olhos Verdes

São uns olhos verdes, verdes,

Uns olhos de verde-mar,

Quando o tempo vai bonança;

Uns olhos cor de esperança,

Uns olhos por que morri;

Que ai de mim!

Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!

Como duas esmeraldas,

Iguais na forma e na cor,

Têm luz mais branda e mais forte,

Diz uma — vida, outra — morte;

Uma — loucura, outra — amor.

Mas ai de mim!

Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!

São verdes da cor do prado,

Exprimem qualquer paixão,

Tão facilmente se inflamam,

Tão meigamente derramam

Fogo e luz do coração

Mas ai de mim!

Nem já sei qual fiquei sendo

depois que os vi!

São uns olhos verdes, verdes,

Que podem também brilhar;

Não são de um verde embaçado,

Mas verdes da cor do prado,

Mas verdes da cor do mar.

Mas ai de mim!

Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!

Como se lê num espelho,

Pude ler nos olhos seus!

Os olhos mostram a alma,

Que as ondas postas em calma

Também refletem os céus;

Mas ai de mim!

Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!

Dizei vós, ó meus amigos,

Se vos perguntam por mim,

Que eu vivo só da lembrança

De uns olhos cor de esperança,

De uns olhos verdes que vi!

Mas ai de mim!

Nem já sei qual fiquei sendo

Depois que os vi!

Dizei vós: Triste do bardo!

Deixou-se de amor finar!

Viu uns olhos verdes, verdes,

uns olhos da cor do mar:

Eram verdes sem esp’rança,

Davam amor sem amar!

Dizei-o vós, meus amigos,

Que ai de mim!

Não pertenço mais à vida

Depois que os vi!

Gonçalves Dias (1823-1864)





Entre Criações, Cores e Banners

9 05 2010

Já fazia um tempo que queria mudar o banner do blog, mas não achava uma figura que me agradasse.

Daí conheci o Diretor de Arte Eduardo Lanzoni, que conseguiu traduzir em uma ilustração o espírito deste espaço de experimentações textuais, meu laboratório hermético de experiências com as sagradas letrinhas.

A ilustração foi totalmente idealizada por ele, que também possui um portfólio com suas demais criações. Vale a pena dar uma conferida.

Abaixo o passo a passo da criação, com comentários do próprio Edu Lanzoni:

“Como meu estilo puxa muito ao abstrato, peguei várias características e apliquei no desenho. Como vocês podem encontrar o contorno de um olho, uma escada que serve de convite para entrar nesse mundo de inspiração, que viram palavras, coração, lágrimas que representam a emoção, folhas de papel que são a origem de tudo, um coração escondido (ahá quero ver alguém achá-lo), além de formas orgânicas, com traços mais femininos para compor. Já que é uma mocinha a autora desse blog.

Bjus e sucesso!!!”

Eduardo Lanzoni

Valeu Edu! 🙂





Ele é o meu tipo!

11 04 2010

Muitos sabem do quanto sou discreta quando o assunto gira em torno de minhas paixões, porém mesmo sendo volúvel neste aspecto, preciso escrever sobre o escolhido da vez. Confesso que já me apaixonei por outros, mas esta é uma relação de quatro livros, não algo superficial como um mero conto, lido no fim da noite.

Quem é ele?

Sherlock Holmes, naturalmente. Inteligente, sagaz, analítico e com oscilações de humor que vão desde a euforia de uma criança com um brinquedo novo até a mais profunda introspecção.

Ele é o máximo!

Desde que assisti ao filme, venho lendo alguns livros de Sir Arthur Conan Doyle e, se antes já me divertia com Edgard Allan Poe e seu C. Auguste Dupin, uma espécie de precursor de Sherlock Holmes, agora tenho diversão garantida com os contos de Doyle.

Segue o resumo de alguns dos livros que devorei nos últimos tempos (sem spoilers):

 UM ESTUDO EM VERMELHO

Redundante dizer que esta é a primeira aventura de Sherlock Holmes e blá, blá, blá. Uma das partes instigantes deste livro é o encontro de Holmes com aquele que viria a ser o seu companheiro de aventuras: Dr. Watson. Fragilizado desde o seu retorno da guerra afegã, Watson espanta o tédio observando (e analisando) seu companheiro de apartamento. E a cada dia se surpreende com sua inteligência analítica, grande poder de dedução e teorias singulares.

É interessante observar o modo como Conan Doyle apresenta Holmes sem descuidar de Watson, pois ele também não deixa de ser um personagem importante, sempre fazendo perguntas pertinentes e servindo de testemunha da metodologia do detetive e, à partir de então, relator de suas aventuras.

A capacidade dedutiva de Holmes chega à beira da obsessão, prestando atenção a detalhes normalmente imperceptíveis aos demais, mesmo aos investigadores Lestrade e Gregson da Scotland Yard. Ele parece se divertir com isso, apesar da cordialidade que mantém com os investigadores. Contudo há um clima de competição (sadia é claro) entre ele e os demais, que muitas vezes se irritam com o seu modo arrogante e por vezes um tanto rude de falar sobre seus progressos no caso.

O enredo gira em torno de um assassinato. O cadáver não possui marcas de ferimentos mortais, contudo o cômodo onde o corpo repousa está salpicado com gotas de sangue. Seriam do assassino? Para complementar o mistério, não há sinais de luta entre a vítima e seu agressor.

Holmes coleta todas as informações na cena do crime e, antes que a identidade do assassino seja revelada, Conan Doyle usa o artifício de uma história paralela, onde o leitor conhece o passado da vítima e as motivações do seu assassino.

Sua prisão é o que menos importa, o grande barato (na minha opinião) é a caça, as deduções, as linhas de raciocínio que levam os três investigadores envolvidos por caminhos distintos. Um ótimo começo!

Dados do Livro

 

DOYLE, Sir Arthur Conan. “Um Estudo em Vermelho”; tradução de Rosaura Eichenberg.

Porto Alegre: L&PM, 2008.

Título Original: A Study in Scarlet.

ISBN: 9788525408112.

168 páginas.

 

  

***


 O RITUAL MUSGRAVE E OUTRAS AVENTURAS

Este livro é uma coletânea de seis contos, sendo eles:

O Rosto Amarelo

Um jovem casado procura o detetive por conta de um problema particular envolvendo sua esposa, que passa a agir de forma estranha desde que o chalé em frente a sua residência foi alugado. O jovem cita uma figura que aparece à janela o qual não consegue identificar se é um homem ou uma mulher, mas que possui uma expressão sinistra e a face de uma cor estranha, amarelada.

Holmes elabora uma teoria e a comenta com Watson. No dia seguinte, apesar das tentativas de sua esposa de dissuadi-lo, acompanhado de Holmes e Watson, seu marido entra no chalé e o enigma é resolvido.

Neste conto, Watson comenta que não são todos os casos que são plenamente solucionados por Holmes, em alguns como este e “O Ritual Musgrave”, apesar dele se enganar, o final da história é conhecido. Uma grande sacada de Conan Doyle, que torna seu personagem mais humano.

 

O Ritual Musgrave (Favorito!) 🙂

Um ritual formal praticado pelos membros da família Musgrave, quando seus descendentes passam à idade adulta, contém informações que foram despercebidas por seus praticantes, porém foram decifradas por um estranho… E por Holmes também que, apesar do palpite errado, consegue concluir o final do mistério.

 

O Mistério da Rua Brook

Um médico e um paciente residente. Mais uma aventura em que a aguçada mente do detetive detecta que há algo mais na história contada por seu cliente.

Neste conto o subterfúgio foi o de que atos do passado justificam ações consideradas estranhas no presente.

 

O Caso do intérprete Grego

Foi neste conto que conheci Mycroft Holmes, irmão de Sherlock e co-fundador do Clube Diógenes. Hã? Clube Diógenes?

É um clube insólito, cujo objetivo é explicado pelo próprio detetive:

“(…) existem muitos homens em Londres que, por algum tipo de timidez ou aversão a outras pessoas, não gostam de companhia. Por outro lado, não desgostam de poltronas confortáveis e de ler os últimos periódicos. Foi para atender a estas pessoas que criaram o Clube Diógenes, que hoje agrega os homens mais insociáveis da cidade. (…) A não ser na Sala dos Estranhos, não é permitido conversar, sob nenhuma hipótese.”

Segundo a descrição de Holmes, seu irmão possui as mesmas habilidades que ele, com a diferença que as utiliza como exercício intelectual, ao passo que ele faz destas habilidades o motor de sua profissão. O caso gira em torno de um vizinho de Mycroft, um intérprete grego que se vê às voltas com uma estranha situação em que seus conhecimentos da língua grega foram solicitados. Ele não imagina o perigo que corre até dividir sua história com o detetive.

 

O Tratado Naval

Um documento secreto é roubado e este roubo coloca em risco a reputação profissional do jovem Percy Phelps, antigo colega escolar de Watson e sobrinho de um influente diplomata. Holmes resolve o caso, surpreendendo a todos quando revela o nome do ladrão.

 

O Problema Final

Conto emblemático onde Conan Doyle encerra a vida do famoso detetive.

Holmes se vê face a face com seu arquiinimigo, o Professor Moriarty. Seu rival é, segundo o próprio detetive, o único que se iguala a ele em inteligência, o que faz do conto uma luta feroz entre dois homens geniais, mas que usam suas faculdades mentais com objetivos diferentes. Foi astuciosa a forma como o autor conduziu o enredo, fazendo o vilão perseguir o mocinho, uma inversão de papéis interessante.

Dados do Livro

 

DOYLE, Sir Arthur Conan. “O ritual Musgrave e Outras Aventuras”; tradução de Antônio Carlos Vilela.

São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006.

Título Original: The Adventures of Sherlock Holmes.

ISBN: 8506044189.

120 páginas.

 

 

 

   

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O VALE DO TERROR

Este é um romance com um enredo bem elaborado. No começo, aparentemente mais um caso para Holmes, o assassinato de um homem, vítima de um disparo com uma arma que explodiu sua face, mas há algo mais…

Como ocorre em “Um Estudo em Vermelho”, uma história paralela complementa e justifica o título sombrio. Aliás, outro ponto que passei a admirar em Conan Doyle: os títulos que escolhe para suas histórias. Somente no final da leitura, naqueles momentos reflexivos sobre o que acabamos de ler, é que fica evidente a escolha do autor para denominar as aventuras de Holmes.

Dados do Livro

 

DOYLE, Sir Arthur Conan. “O Vale do Terror”; tradução de Antônio Carlos Vilela.

São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006.

Título Original: The Valley of Fear.

ISBN: 8506039401.

150 páginas.

 

  

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O ULTIMO ADEUS DE SHERLOCK HOLMES

Este livro também é uma coleção de contos, todos bem interessantes. Aqui também há um favorito entre os sete enredos.

O Tigre de São Pedro

Holmes ao lado do inspetor Baynes, coleciona pistas sobre um intrincado caso de vingança, envolvendo dois grupos de pessoas misteriosas. O conto é dividido em duas partes, a primeira informando os dados de um assassinato e a segunda o desfecho da história.

 

Os Planos do Submarino Bruce-Partington

Mais um conto em que Mycroft Holmes, irmão do detetive, aparece. Desta vez lhe trazendo um caso envolvendo a morte de Cadogan West, um jovem encontrado morto nos trilhos do metrô de Londres e de posse de alguns desenhos técnicos, os planos do submarino Bruce-Partington. O desafio de Holmes é descobrir onde estão os três desenhos mais importantes que estão faltando e que não estavam com a vítima.

 

O Pé-do-Diabo

Por conta de seus exageros mentais, Sherlock Holmes foi proibido de continuar suas investigações até que sua saúde se reerguesse e por isso passou uma temporada em um chalé, na extremidade da Península da Cornualha. Foi lá que teve conhecimento de um caso curioso.

Após visitar seus três irmãos, um homem os deixa e retorna para sua casa.

No dia seguinte é chamado às pressas e se depara com uma cena terrível: Seus dois irmãos estão enlouquecidos e sua irmã está morta. Mais um caso que foi astuciosamente solucionado pelo detetive.

 

O Círculo Vermelho (Favorito!) 🙂

Um hóspede de hábitos mega estranhos faz com que a dona da pensão venha em busca do auxílio de Holmes. Investigando a história, o detetive percebe que tanto mistério acerca do hóspede tem um motivo importante, um caso de vida ou morte que justifica seus atos.

 

O Desaparecimento de Lady Frances Carfax

Uma senhora rica e solteira fugindo de um homem de hábitos selvagens.

Assim começa o enredo inicialmente investigado por Watson e que guarda surpresas até o seu desfecho. Este foi o primeiro enredo em que consegui descobrir a manobra dos criminosos antes de ler o final. Quem disse que a arte da dedução é privilégio apenas de Holmes? 😉

 

O Detetive Agonizante

O famoso detetive contrai uma doença contagiosa e está prestes a deixar Londres à mercê dos criminosos, privando a todos de sua mente brilhantemente analítica. Somente com a ajuda de Watson este quadro triste pode se reverter.

 

O Último Adeus – Sherlock Holmes e o Esforço de Guerra

Um típico caso de espionagem, uma pena que quando este enredo foi escrito por Conan Doyle, seu famoso detetive já estava aposentado, dedicando sua inteligência a estudar as peculiaridades das abelhas em sua fazendinha em South Downs.

Dados do Livro

 

DOYLE, Sir Arthur Conan. “O Ultimo Adeus de Sherlock Holmes”; tradução de Antônio Carlos Vilela.

São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006.

Título Original: Reminiscences of Sherlock Holmes/His Last Bow.

ISBN: 8506044200.

144 páginas.

 

  

Recomendo a leitura aos que gostam de suspense policial. A maioria das motivações para os crimes ou é vingança ou a cobiça dos homens tentando levar vantagem sobre suas vítimas. Algo perfeitamente atual se analisarmos as atrocidades que o ser humano é capaz cometer, mesmo em pleno século XXI.

Claro que em alguns momentos tem passagens que pela lógica seria muito improvável uma dedução como as de Holmes, mas como se trata de uma leitura de ficção, cumpre bem o seu papel de entreter com inteligência.

Obs.: E para os que acharam que eu ia falar sobre minha vida sentimental: Há! “Pegadinha do Malandro!” 😀





O Homem de gelo

5 04 2010

Ao longo de 488 páginas conheci a biografia de Richard Kuklinski, aquele que, devido ao seu comportamento, veio a ser chamado de “O Homem de Gelo”.

O “Grandalhão” como era conhecido nos meios criminosos, tinha um código de ética às avessas, não matava mulheres e crianças, uma barreira que não ultrapassou até o fim. E também possuía uma obsessão: Sua esposa Bárbara. Apesar de contrabandear filmes pornográficos, não participava de forma alguma das orgias, sendo que em uma das descrições do autor, deixou os negócios em Zurique e retornou ao seu lar apenas para fazer amor com sua esposa, retornando aos negócios no dia seguinte.

Deste comportamento dá para concluir que ele possuía duas personalidades, uma delas era a do frio psicopata, capaz das mais variadas atrocidades sem se importar com as vidas que era pago para ceifar e a outra faceta era a de um homem dedicado à família.

O enredo também retrata o seu convívio com outros psicopatas e mafiosos, como Roy De Meo, que de tão alucinado para entrar nas fileiras da máfia, conseguia muitos “contratos” para Kuklinski, sempre visando agradar seus chefões.

Já Robert Pronge, colega de profissão do grandalhão, usava o disfarce de “Sr. Delícia” para observar suas presas, sendo um expert em assassiná-las com diversos tipos de veneno. Graças a ele, o homem de gelo também refina suas técnicas de abater pessoas, algo que ao longo de sua sangrenta carreira procurou fazer o tempo todo.

Apesar de todas as precauções que tomava para não ser pego, em muitas cenas dava para notar que ele também tivera muita sorte. A frase “mais um homicídio sem explicação…” chega a irritar e é descrita muitas vezes pelo autor.

Para quem curte assuntos relacionados à máfia, esta leitura proporciona uma imersão no mundo do crime, das pessoas que dele fazem parte, como pensam e como agem. Não tem como não notar a inconstância destes personagens. E lendo sobre seus tortuosos caminhos, chegamos a pensar que conhecemos seus próximos passos. Contudo, do dia para a noite o cenário em volta se mostra mais ameaçador e aquele que hoje é o seu mais fiel colaborador, amanhã pode ser aquele que você tenha que eliminar. Mesmo o próprio Richard Kuklinski, nos últimos capítulos de sua saga alterou o seu padrão de comportamento, o que serviu para que os investigadores conseguissem provas sobre alguns de seus crimes.

A leitura foi cansativa em vários momentos, porém foi interessante como bagagem para a escrita do meu romance mafioso que, óbvio, também tem um personagem psicopata, além de diversos outros personagens carregando alguma patologia, o que não justifica, mas traduz suas ações.

E muito se engana quem acha que a história acaba após a prisão de Richard Kuklinski. Até então a polícia conhecia apenas a ponta do iceberg. O show (de horror) estava só começando…

Foi na Penitenciária Estadual de Trenton que ele concedeu uma série de entrevistas para a HBO, onde contou em detalhes seus métodos para abreviar a vida de mais de 200 pessoas, o que serviu também para solucionar uma série de assassinatos arquivados por falta de pistas.

O vídeo abaixo é apenas um dos documentários.

Encerro por aqui, senão o texto passa de uma resenha para spoiler e não quero tirar o prazer dos que forem ler o livro, mas acreditem: há muito mais!

O Livro

CARLO, Phillip. “O Homem de Gelo: Confissões de um matador da Máfia”; tradução de Denis Mattar.

São Paulo: Landscape, 2007.

Título Original: Ice man, The: Confessions of a Mafia contract killer.

ISBN: 978-85-7775-000-9.

488 páginas.





Mercado Municipal de São Paulo

22 03 2010

Mercado Municipal de São Paulo

“Mercado Municipal de São Paulo”, foto by Luciana Muniz.

Frutas do Mercado Municipal de São Paulo

 





Nostalgia

25 02 2010

Escrita

Escrever é preciso. Para não enlouquecer, para refinar as idéias, para desabafar. Exercício altamente recomendado por psicanalistas aos seus pacientes e por professoras sensatas aos seus aluninhos.

Faço parte do segundo grupo, mantenho o hábito de escrever desde os primórdios. Comecei rabiscando as letras do alfabeto nos cadernos de receitas da minha mãe. Na época renderam muitas broncas, mas hoje ela guarda estes cadernos rabiscados como relíquia da minha infância.

Mais tarde encontrei no sótão um antigo livro de poesias do Castro Alves, obra completa. A menina de seus dez anos não entendia um terço do que lia naquelas páginas e ficava horas procurando o significado no dicionário. Depois reescrevia tudo com as palavras que compreendia.

Mas e as rimas?

Não importavam, o objetivo naquele momento era entender a mensagem do autor.

Depois vieram as recomendações de leitura da série Vagalume, foi quando conheci Marcos Rey e Pedro Bandeira. Agora não me contentava em apenas ler, tinha que eu mesma criar as minhas histórias mirabolantes e foi o que fiz aos doze anos.

Há pouco tempo encontrei todos os diários desta época e os originais do meu primeiro “romance”, se é que se pode chamar assim uma história fantasiosa de criança. Foi maravilhoso relembrar alguns momentos, pessoas que inspiraram meus primeiros personagens, links há muito esquecidos.

Um exercício saudável para reafirmar o poder da escrita, principalmente para os que também escrevem.

Por quê?

Mesmo após anos e anos, relendo os diários recordei cenas e momentos como se os tivesse revivido na mesma proporção.

Hoje os sentimentos expostos nos textos são diferentes, não mais verdadeiramente inocentes, sempre acompanhados de uma pitada de malícia ou alguma idéia implícita.

É o preço da vivência, do tempo que inexoravelmente passa, substituindo a ingenuidade pela palavra certa, afiada e premeditada para causar algum sentimento em quem lê.

Muitos chamam de técnica, eu de amadurecimento literário.

E assim, continuo exercitando, mesmo com textos que jamais serão lidos por outros olhos além dos meus. São textos que daqui a alguns anos proporcionarão outros momentos nostálgicos. E assim sucessivamente.





Ecoturismo Carnavalesco

19 02 2010

Que ziriguidum que nada! Carnaval é bom ou para viajar ou para descansar, mas em qual das duas opções apostar? Sempre apostei em descansar e organizar minha eterna bagunça, porém este ano foi diferente, resolvi apostar em algo digamos… mais emocionante…

Quer dizer que a “bonequinha delicada” vai fazer ecoturismo e esportes radicais?

Vai fazer não! Já fez!

Se valeu a pena?

Bem, acredito que uma imagem vale por mil palavras, confiram:

 

1º dia: Bóia Cross

O percurso é feito em grupos de quatro a seis pessoas, mais o instrutor. O objetivo é descer as corredeiras (nível leve) em cima de uma bóia.

 

Bóia-Cross

Momento de descanso antes de encarar as próximas corredeiras.

 

Bóia-Cross

Passando pelo rio

 

2º dia: Rafting

Aqui o objetivo muda um pouquinho, nada de individualidades. O que conta é o sincronismo dos remadores para executar os comandos e descer as corredeiras (nível leve e médio). Pisooooo! 😀

 

Rafting

Grito de Guerra: “Chá de Cogumelo!” (Não me perguntem como surgiu isso…)

 

Rafting

Preparados para a próxima corredeira.

 

3º dia: Arvorismo, Tirolesa e Rapel

O arvorismo consiste em chegar até a cachoeira roseira passando por diversos obstáculos, dentre eles treze atividades por cima das árvores, pequenos rios e mesmo cavalos correndo pelo campo. Em seguida vem a tirolesa e por ultimo o rapel com vista panorâmica para a cachoeira como recompensa.

 

Arvorismo

Arvorismo: A apressadinha de rosa lá na frente soy yo.

 

 

Rapel

Rapel: Descida pelo paredão antes de visualizar a cachoeira, tô de próxima!

 

Cachoeira Roseiral

Cachoeira Roseira: Enquanto eu descia de rapel vi um arco-íris!

 

4º dia: Eco-Tirolesa

O quarto dia foi um brinde bem vindo. Pelo cronograma da agência nossas atividades radicais tinham sido cumpridas, mas na fazenda onde ficamos havia a eco-tirolesa, uma tirolesa básica com direito a um “pseudo-mergulho” no lago.

 

Ecotirolesa

Este é o lago, ponto final da eco-tirolesa

 

Depois da rodada de eco-tirolesa, ainda sobrou fôlego para uma voltinha no lago com o remo e a bóia usada no bóia-cross. Infelizmente não foi registrada esta parte porque lembrei da máquina fotográfica quando já estava na metade do lago. Os meninos ainda se aventuraram no caiaque.

O mais interessante após esta imersão no ecoturismo é que de volta à Sampa City os obstáculos “naturais”, criados pelas chuvas de verão aqui na cidade, ficam mais fáceis de aturar. :p





Arrebatador!

12 02 2010

“O corpo tem seu próprio modo de saber, um conhecimento que tem pouco a ver com lógica, e muito a ver com verdade; pouco a ver com controle, e muito a ver com aceitação, pouco a ver com divisão e análise e muito a ver com união”.

Marilyn Sewell

Hoje eu quero um corpo. Nada de inteligência, QI elevado ou papos sobre neurociência avançada. Hoje será apenas anatomia.

Fútil? Não sei. Visceral seria mais adequado, muito mais Baco do que Hermes. Corpo sobrepondo mente, sensações prevalecendo sobre valores.

Quero um coração pulsando acelerado, não de paixão e sim de completo êxtase. E que seja seguido de olhos sagazes, não para mirarem o desejo, mas para enxergarem além.

A vontade de hoje é encontrar Zeus ao modo de Baco, trilhando o caminho frenético da loucura. Pegarei emprestado o seu estado de espírito tresloucado para compreender as mais profundas verdades da essência humana.

Talvez desta forma eu consiga amainar a chama que arde no peito e sacie a sede de liberdade, que faz de mim uma eterna buscadora.

A ordem de hoje é equilibrar as horas celibatárias com momentos de completa luxúria, assumindo o papel de bacante que me cabe e concedendo a um escolhido a oportunidade de comungar com os Deuses através do santuário do meu corpo.

Através dos ritos dos antigos mistérios quero provar a sensação de morte e encontrar a essência divina, transcender os limites da mente consciente. Neste momento nada de harpas ou anjinhos flutuando sobre nuvens, quero ouvir o som de tambores!

E quando retornar desta jornada, desejo ter a sensação de que o som dos tambores nada mais eram do que as batidas do meu coração.

A juventude de Baco

” The Youth of Bacchus” (1884), de William Adolphe Bouguereau.





Evento: “A Ficção Científica”

9 02 2010

“Quem nunca imaginou cenários fantásticos com carros voadores, armas lasers, viagens interplanetárias. Quem no planeta não conhece a respiração de Darth Vader ou as orelhas pontudas do Sr. Spock?

Seja as maravilhas encantadoras de desenhos como Os Jetsons, filmes séries que passavam nos tempos de nossos avós ou bisavós como Flash Gordon nos cinemas, com sua ingenuidade sobre o futuro da humanidade até o preconceito e a xenofobia de Distrito 9, a ficção sempre esteve a frente da ciência e nos trouxe calorosas discussões.

Um mundo maravilhoso onde a humanidade trabalha em conjunto como a de Star Trek, ou uma caótica com problemas ambientais de Blade Runner, a verdade é única: a ficção cientifica é muito mais do que uma simples ficção.

E no dia 20 de fevereiro, a partir das 14h30, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, o assunto será “A Ficção Cientifica”. Venha bater um papo com autores e editores, que falarão sobre o mercado nacional de ficção, como tornar-se um escritor, assistir a alguns episódios de seriados que fazem ou fizeram época.”


Serviço:

Data: 20/02/2010.

Local: Livraria Cultura – Shopping Bourbon (Rua Turiassu, 2100 – Perdizes).

Horário: 14h30 às 17h30.

Organização: Aumanack.

Apoio: Livraria Cultura.

Presenças de:

Alan Uemura, editor do site Aumanack;

Renato Azevedo, co-editor do Aumanack, consultor da revista UFO e autor do livro “De Roswell a Varginha” (Tarja Editorial);

Cristina Lasaitis, autora do livro “Fábulas do Tempo e da Eternidade” (Tarja Editorial);

Nelson Magrini, autor do livro “Relâmpagos de Sangue” (Novo Século) e “Os Guardiões do Tempo” (Giz Editorial);

Gianpaollo Celli, editor da Tarja Editorial;

Adriano Piazzi, editor da Aleph;

Rodrigo Coube, editor da Idea Editora e  

Marcus Vinicius, Presidente da Comunidade 007 Brasil, e advogado especialista em direito autoral.

Para maiores informações: aumanack@yahoo.com.br